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Golpe do falso empréstimo: como identificar e não cair nas fraudes mais comuns

Foto: Divulgação/Prefeitura de Joinville

Por: Pedro Leal

31/03/2026 - 15:03 - Atualizada em: 31/03/2026 - 15:23

Enquanto a inadimplência segue batendo recordes, com 81,7 milhões de brasileiros com o nome negativado em fevereiro, segundo o Serasa, os criminosos se reinventaram, transformando a promessa de dinheiro rápido em uma indústria bilionária de fraudes.

Dados do relatório global da BioCatch revelaram um aumento de 65% nos golpes relatados em todo o mundo entre 2024 e 2025, e destacando o Brasil como o país mais afetado da América Latina.

Mas o dado que acendeu um alerta no sistema financeiro veio das estatísticas do Pix: até novembro de 2025, os golpes realizados por meio desse sistema de pagamento superaram a marca de R$7,2 bilhões. O número expõe a sofisticação de uma nova geração de criminosos que convencem as vítimas a apertarem o botão de transferência por conta própria.

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O “golpe do empréstimo” e a arte da engenharia social

Dentre as variações de golpes, a que mais se destaca pela crueldade é o “falso empréstimo”, mecânica que apela para o desespero ou a urgência financeira da vítima. Criminosos se passam por instituições legítimas ou fintechs, oferecendo crédito com condições irreais como juros baixíssimos e sem consulta ao SPC/Serasa.

Se antes os criminosos pediam depósitos em contas de terceiros, hoje a estratégia é mais rápida e difícil de rastrear. O golpe da taxa antecipada é o mais comum: “após convencer a vítima de que o empréstimo foi aprovado, o falso consultor solicita um pagamento via Pix para “liberar o crédito” ou “pagar o IOF”. Assim que o valor é transferido, o criminoso desaparece. A velocidade do Pix permite que o dinheiro seja pulverizado em contas laranjas em segundos, dificultando qualquer bloqueio”, alerta Thaíne Clemente, executiva de Estratégias e Operações da Simplic, fintech de crédito pessoal 100% online.

A dimensão do problema levou o governo federal a lançar, em dezembro de 2025, um plano de ação da Aliança Nacional de Combate a Fraudes Bancárias Digitais, reunindo 23 medidas entre prevenção e repressão. Além disso, novas regras do Banco Central entraram em vigor em fevereiro deste ano, prevendo o bloqueio automático de contas assim que um golpe for denunciado diretamente no aplicativo bancário, criando um mecanismo de rastreio para recuperar os valores antes que desapareçam no ecossistema digital.

Como não cair na armadilha

Apesar dos avanços regulatórios, a prevenção ainda depende do comportamento do usuário. A pesquisa da BioCatch também mostrou que golpes via SMS aumentaram 14 vezes e o uso de deepfakes cresceu 830% no país, provando que os criminosos estão investindo em tecnologia para enganar até os mais atentos.

Por isso, antes de qualquer negociação, o consumidor deve buscar o canal oficial da instituição, seja pelo aplicativo, site ou telefone registrado no Banco Central, e confirmar se a oferta realmente existe. Segundo Thaíne “Golpistas são mestres na criação de sites e perfis falsos que imitam perfeitamente a identidade visual de bancos conhecidos, e o simples ato de digitar o endereço do portal oficial no navegador, em vez de clicar em links recebidos por mensagem, pode ser a diferença entre a segurança e o prejuízo”.

O segundo ponto é a proteção dos dados pessoais. Nenhum banco legítimo solicita senhas, códigos de verificação, selfies com documentos ou informações cadastrais completas por telefone, WhatsApp ou mensagem de texto. Quando um suposto atendente pressiona a vítima para compartilhar esses dados sob a justificativa de “agilizar a aprovação” ou “desbloquear o valor”, trata-se de um sinal inequívoco de golpe. Resistir a essa pressão e dar-se ao direito de pausar, pesquisar e consultar alguém de confiança é um dos mecanismos de defesa mais eficazes.

Por fim, a especialista reforça que a educação financeira é o antídoto estrutural contra esse tipo de crime. “Conhecer os próprios limites de crédito, entender como as instituições financeiras realmente operam e manter um canal direto com o banco ou fintech de confiança são hábitos que reduzem drasticamente a vulnerabilidade. Com a promessa de crédito fácil sendo a principal porta de entrada para os golpistas, a desconfiança saudável e o hábito da verificação se tornam as ferramentas mais eficazes de defesa”, recomenda.

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Pedro Leal

Analista de mercado e mestre em jornalismo (universidades de Swansea, País de Gales, e Aarhus, Dinamarca).