A falta de microchips no mercado tem afetado a produção de automóveis - e na falta de carros novos, as vendas de usados tem encarado um boom. Segundo a Fenauto (Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores), em junho de 2021, as negociações de usados e seminovos cresceram em mais de 77% em relação ao mesmo período de 2020.

As montadoras estão com dificuldades em fabricar novos veículos em meio a falta de chips que atinge a cadeia produtiva. Nesta quarta-feira, a Anfavea informou que o estoque de carros é o menor em 20 anos, puxado pela queda do volume de veículos prontos. As informações são da Bloomberg.

A produção recuou 2% no mês passado ante junho, para 163,6 mil unidades, enquanto na comparação anual, o volume produzido mostrou uma queda de 4,2%. Com as incertezas prolongadas, as montadoras podem perder pelo menos US$ 110 bilhões em vendas este ano.

O presidente da entidade, Luiz Carlos Moraes, afirmou em entrevista a jornalistas que a crise na oferta de semicondutores persiste e afirmou que o problema foi responsável por uma perda de produção no primeiro semestre de 100 mil a 120 mil veículos.

E o setor vem ainda mostrando sinais positivos mês a mês, com um crescimento de 1% em relação a maio.

Pensando nesse cenário mais difícil, a InstaCarro, startup que auxilia a venda de veículos usados ou seminovos, fez um levantamento de marcas e modelos de carros que foram mais comercializados em junho, na modalidade usados.

O modelo mais comercializado no período foi o Hyundai HB20, com 4.47% das vendas realizadas pela plataforma. Seguido do Ford Ka e Ford Fiesta, empatados com 3,97%.

Complementam o ranking, Chevrolet Onix (2,98%), Renault Sandero (2,65%), Honda Fit (2,32%), Volkswagen Gol (2,15%), Ford Ecosport (1,99%), Volkswagen Fox (1,99%), e Chevrolet Cruze (1,82%).

Entre as marcas, Ford e Chevrolet lideram com 13% e 12,67% de vendas no período, respectivamente. Mas é a Hyundai que ocupa a terceira colocação, com 10,5%, à frente de Volkswagen (10,33%) e Fiat (9,5%). O ranking ainda termina com Renault (8,67%), Honda (6,33%), Peugeot (5,17%), Citroen (4,33%) e Nissan (4%).

Nesta semana, fornecedores desses componentes eletrônicos essenciais alertaram que o problema está longe de acabar e disseram que o rápido giro da indústria automobilística para veículos elétricos pode dificultar ainda mais sua capacidade de fechar a lacuna. Seus clientes compartilham a visão cautelosa.

Segundo as duas maiores fabricantes de chips usados por montadoras, Infineon Technologies e NXP Semiconductors, oferta e demanda não estarão equilibradas até meados do próximo ano. Isso significaria uma crise prolongada para montadoras que enfrentam o problema desde o fim de 2020.

“É muito importante enfatizar o quanto estamos aumentando a oferta”, disse o CEO da NXP, Kurt Sievers, em entrevista. “A demanda ainda supera a oferta, e o aperto durará até 2022″, afirmou.

As fabricantes de chips têm pouco do que reclamar, pois o aumento da receita elevou os lucros a níveis recordes. Mas concessionárias de automóveis estão com os pátios vazios, o que limita a oportunidade de as montadoras aproveitarem ao máximo o aumento da demanda pós-Covid.