O ano de 2025 foi marcado por um aumento expressivo da taxa de juros no país. A Selic chegou a 15% ao ano, o maior patamar em duas décadas. Embora o varejo tenha apresentado um desempenho positivo — com crescimento de 5,7% até novembro em Santa Catarina —, outros setores foram mais duramente impactados. Um deles é o mercado de financiamentos imobiliários.
Em dezembro, o percentual de consumidores catarinenses com financiamentos imobiliários ativos caiu para 8,8%. Um ano antes, esse índice era de 12,4%. Os financiamentos de automóveis também registraram retração no período, passando de 16,8% em dezembro de 2024 para 14% em dezembro de 2025.
Os dados fazem parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Fecomércio SC em parceria com a Confederação Nacional do Comércio (CNC).
O presidente da Fecomércio SC, Hélio Dagnoni, ressalta que o mercado imobiliário está entre os segmentos mais sensíveis às variações da taxa de juros. Dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) apontam queda de 14% na liberação de crédito imobiliário entre janeiro e novembro de 2025, em âmbito nacional, na comparação com o mesmo período do ano anterior.
“A aquisição de bens duráveis, como casas e carros, quase sempre envolve financiamentos ou outras modalidades de crédito, como consórcios. Por isso, os juros elevados são especialmente nocivos para esse setor. Para 2026, pode haver uma recuperação, já que analistas estimam uma leve queda da Selic, impulsionada pela redução da inflação futura”, afirma Dagnoni.
O que mais diz a pesquisa da Fecomércio
O percentual de famílias endividadas em Santa Catarina encerrou 2025 em 73,1%, uma queda de 1,5 ponto percentual em relação a dezembro de 2024. Segundo a economista da Fecomércio SC, Edilene Cavalcanti, o cenário de juros elevados alterou hábitos de consumo de parte da população catarinense.
“Com taxas mais altas, muitas pessoas passaram a priorizar pagamentos via PIX ou débito, reduzindo a dependência do crédito”, explica.
Ela destaca que isso não representa retração no consumo. Pelo contrário: Santa Catarina registrou o segundo maior crescimento do comércio varejista do país até novembro. “Os consumidores se adaptam às condições econômicas. Ainda assim, o cartão de crédito segue como a principal fonte de endividamento, presente em 84,5% dos casos. É fundamental manter as faturas em dia, já que o crédito rotativo possui uma das taxas de juros mais altas do mercado e pode transformar pequenas dívidas em verdadeiras bolas de neve”, alerta Edilene.
Inadimplência subiu em 2025
Outro ponto de atenção apontado pela pesquisa é o avanço da inadimplência ao longo de 2025. O índice atingiu recordes da série histórica da PEIC, iniciada em 2010. Em outubro, após sete meses consecutivos de alta, o percentual de famílias catarinenses com contas em atraso chegou a 33,1%. Nos dois últimos meses do ano, houve leve recuo, com o indicador fechando dezembro em 31,4%.
A economista da Fecomércio SC lembra que a média histórica de inadimplência é de 22,3% e que o índice estadual permanece acima da média nacional, de 29,4%. “O cenário é preocupante. Esperamos que a tendência de queda observada nos últimos meses se mantenha ao longo de 2026. É fundamental acompanhar esse indicador, pois níveis elevados de inadimplência impactam toda a economia”, conclui.