Com uma safra de 717,7 mil toneladas, Santa Catarina respondeu por mais de dois terços das exportações de banana registradas no ano passado: 73% das frutas brasileiras enviadas ao exterior vieram do estado. Os dados são da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri)

No ano passado, o estado faturou US$ 11,8 milhões com o embarque de mais de 47,8 mil toneladas de banana – 38% a mais do que no ano anterior. Ao todo, o país exportou 65,47 mil toneladas do fruto, movimentando US$ 21,07 milhões.

 

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Este foi o maior volume registrado desde 2015, segundo dados do Boletim Agropecuário elaborado pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa). O estado conta com cerca de 3.400 bananicultores e mais de 28 mil hectares plantados.

Segundo a diretora da Asbanco (Associação dos Bananicultores de Corupá), Eliane Müller, estas exportações servem como um importante mecanismo de controle de preços.

"As exportações ajudam a escoar os excessos da produtividade, nosso produtor sofreu muito com preços baixos por conta da oferta elevada no ano passado", explica.

Em 2018, o preço chegou à um mínimo de R$ 5 pela caixa de 21 kg do fruto, enquanto o preço de custo para os produtores operou em uma média de R$ 9,50. "Alguma coisa tinha que mudar, ou o produtor ia acabar quebrando, estávamos perdendo dinheiro a cada caixa", lembra.

 

 

Ela adiciona que a entidade foi fundada em resposta a mais grave crise de preços do fruto, em 1994: no primeiro ano do Real, a caixa do fruto chegou a um mínimo de R$ 0,80 por caixa.

O principal destino para o fruto catarinense é o Mercosul - cerca de 15% da produção de Corupá se destina às exportações para a Argentina e o Uruguai.

"Nós competimos diretamente com frutos importados por estes mercados e como tivemos uma safra muito grande, os preços foram vantajosos para a aquisição de banana brasileira", diz.

Em posição de destaque

A exportação de banana é feita primariamente de forma indireta: produtores vendem o fruto para distribuidores, que por sua vez os vendem para exportadoras na fronteira.

Por conta disto, esta e outras exportações agrícolas frequentemente não aparecem associadas ao município produtor em dados da balança comercial.

Segundo a diretora, Santa Catarina tem uma vantagem geográfica nas exportações para os vizinhos.

"Como temos a maior proximidade com a Argentina e o Uruguai dentre os estados produtores, isto nos dá uma vantagem muito grande para o mercado externo. A maior parte das importações de banana deles são catarinenses", explica.

A proximidade não apenas reduz os custos, mas garante um fruto em melhor qualidade, dada a vida curta da banana.

No final do mês passado, outra situação ligada ao mercado externo favoreceu os bananicultores regionais: o veto às importações de banana do Equador, atendendo uma solicitação da Conaban (Confederação Nacional dos Bananicultores).

A decisão foi confirmada no dia 26 de fevereiro e derruba a instrução normativa 46 de 6 de dezembro de 2017, que autorizava a importação de banana do Equador para o mercado brasileiro. O Equador também é o principal competidor do fruto catarinense nos mercados do Mercosul.

Banana mais doce do Brasil

A banana produzida na região de Corupá é considerada a mais doce do Brasil. O reconhecimento do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) é válido para as frutas produzidas nos limites da região formada entre os municípios de Corupá, São Bento do Sul, Schroeder e Jaraguá do Sul.

O INPI reconhece que a banana da região é naturalmente mais doce, devido às características do solo, relevo e clima. Com o slogan “Banana de Corupá: doce por natureza”, a fruta se tornará patrimônio regional e terá um diferencial competitivo.

Com a Indicação Geográfica, os bananicultores da região poderão utilizar o selo de origem em seus produtos, desde que sigam um regulamento de produção e procedência, que dará aos consumidores garantia da qualidade diferenciada da fruta.

 

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