Quatro anos após fechamento de escola, trabalhadores continuam sem receber

Professores e outros funcionários protestam em frente ao Fórum de Jaraguá do Sul | Foto: Divulgação

Por: Elisângela Pezzutti

17/03/2023 - 14:03 - Atualizada em: 17/03/2023 - 14:42

Quatro anos depois do fechamento do Centro Educacional Dente de Leite, cerca de 30 professores e outros funcionários que foram dispensados ainda buscam na Justiça o direito de receber os valores a que têm direito com as rescisões dos contratos de trabalho. A unidade de ensino particular, localizada no Bairro Czerniewicz, em Jaraguá do Sul, atuou na cidade por duas décadas e fechou as portas em março de 2019.

A professora Rosimery Pett Vieira, que deu aulas de teatro na escola durante três anos, conta que o fechamento da unidade foi anunciado em fevereiro de 2019. “Por conta dos alunos, eles ainda pediram encarecidamente aos professores, para que continuassem trabalhando até o dia 15 de março. A gente trabalhou efetivamente até o dia 15 de março, conforme o combinado, e até agora não recebemos nada”, lamenta.

Empréstimo para pagar as contas

Jaqueline lecionou durante 17 anos no Centro Educacional Dente de Leite | Foto: Divulgação

A professora Jaqueline Orzehowski de Lima trabalhou quase 17 anos no Centro Educacional Dente de Leite. “O fechamento da escola aconteceu em março e nós acabamos não recebendo alguns salários atrasados, o 13° salário, férias, e quando fomos fazer a rescisão, descobrimos que tínhamos anos de FGTS atrasado”, relata. “A nossa rescisão virou em nada, mas as contas estavam ali e tivemos que dar um jeito de pagar essas contas. Eu tive que fazer um empréstimo, que estou pagando até hoje, e isso gerou muitos juros. Estamos tentando nos reerguer e peço que as pessoas responsáveis liberem esse dinheiro, que é um direito nosso, pois trabalhamos, entregamos a nossa vida por aquela escola. Quem estava lá sabe o quanto trabalhamos, o quanto a gente se dedicou a cada criança. Então, eu peço, por favor, que liberem esse dinheiro, pois estamos precisando muito”, reivindica Jaqueline.

Marido e esposa desempregados ao mesmo tempo

A secretária Cyrlei Lenzi Andreatta ficou desempregada junto com o marido, que era professor de informática na escola | Foto: Divulgação

 

Cirley Teresinha Lenzi Andreatta, mãe de dois filhos, trabalhou na escola por quatro anos, como secretária. O pai de seus filhos e seu esposo à época (atualmente o casal está separado), Edemilson Marcelo Andreatta, trabalhou por nove anos como professor de informática na mesma escola.

“Ficamos os dois desempregados, sem salário e com duas crianças. A falta de dinheiro afetou diretamente a minha saúde mental, eu me sentia ansiosa, estressada, sem esperanças. Sem dinheiro, não podíamos fazer coisas básicas, como comprar comida, pagar contas de luz, água. Estávamos sendo cobrados e não tínhamos o que fazer. As coisas foram ficando cada vez mais complicadas. Por isso, eu peço encarecidamente que a juíza do caso nos ajude. Eu sei que há os outros credores (da escola), só que os professores e outros funcionários que trabalhavam juntos lá têm o direito de receber. Quero que a juíza pense em quantas famílias ficaram sem ter o que comer, que se não tivesse um familiar ou alguém ao lado para ajudar, como estariam…”, apela Cirley.

Gastos com problemas de saúde, desemprego e dívidas

Leodete Albertina de Souza trabalhou 15 anos como merendeira no Centro Educacional Dente de Leite | Foto: Divulgação

A cozinheira Leodete Albertina de Souza trabalhou 15 anos como merendeira na Dente de Leite. “A escola fechou e eu saí de lá sem nada, sem pagamento e sem emprego. Aí fiquei doente, tive que gastar com médico, remédios, e hoje estou devendo, estou endividada e preciso muito desse dinheiro. Peço à juíza que, por favor, libere o nosso dinheiro”.

Grávida e sem salários

Márcia Dubiella estava grávida quando perdeu o emprego de professora | Foto: Divulgação

A professora Márcia Elisandra Matos Dubiella conta que nos últimos meses em que trabalhou na escola, ela estava grávida e tinha uma criança pequena em casa. “Saímos sem receber salário e até agora as nossas verbas rescisórias ainda não vieram. Já se passaram quatro anos e nós não vamos desistir, vamos lutar até o fim porque é um direito nosso”, afirma.

A juíza Candida Ines Zoellner é a responsável pelo caso. De acordo com a professora Rosimery Pett Vieira, os funcionários do extinto Centro Educacional Dente de Leite querem entregar uma carta a ela, no intuito de solicitar a agilização do pagamento dos direitos seus direitos trabalhistas.

Veja abaixo, a íntegra da carta que está sendo divulgada nos veículos de comunicação locais:

JARAGUÁ DO SUL, MARÇO DE 2023.

“QUE NOSSO PRESENTE DE 4 ANOS DE ESPERA PACIENTE, SEJA A LIBERAÇÃO DE NOSSAS VERBAS RESCISÓRIAS!!!”

Na data de 15 de março de 2019, nós, trabalhadores do CENTRO EDUCACIONAL DENTE DE LEITE, fomos surpreendidos com a notícia do fechamento da escola e que a escola não possuía recursos para realizar o pagamento das rescisões (nem o fundo de garantia era depositado).

A partir deste momento iniciou-se a nossa luta para obtermos o direito aos valores que são frutos de nosso suor e trabalho, iniciando pela justiça do trabalho que prontamente reconheceu o débito da escola (reconhecido pela própria escola) para com cada profissional que ali trabalhou.

Diante de tantas incertezas e situações econômicas complexas vividas por todos nós, naquele momento surgiu um fio de esperança, primeiro com o bloqueio do imóvel onde a escola funcionava e logo depois com a sinalização da Prefeitura de Jaraguá do Sul para compra deste mesmo imóvel.
Nossa esperança aumentou mais quando a Prefeitura realizou o pagamento, em juízo, para a aquisição do imóvel, possibilitando, a nós, o recebimento dos valores e fazendo justiça com os trabalhadores que ali deixaram seus esforços.

Aguardamos com paciência o desenrolar dos trâmites burocráticos, porque sabemos da complexidade para liberação de valores em uma situação como esta, contudo a nossa situação, dos trabalhadores, só se agrava com o passar do tempo.

Não bastasse a perda do emprego e o não recebimento à época dos valores oriundos das rescisões junto a Dente de Leite, passamos pela pandemia, muitos profissionais adoeceram, outros tiveram filhos e com certeza essa verba aliviaria de alguma forma a vida de cada um.

Em 2021, tivemos a informação de que a JUÍZA DA VARA DA FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DE JARAGUÁ DO SUL, Dra. CANDIDA INES ZOELLNER, aguardava seu perito que teria que se deslocar de Florianópolis pra periciar o imóvel (por conta da pandemia não pode vir) e que ela dependia disso para fazer algo então. Pois aguardamos ansiosos por ele, que só veio fazer a tal perícia do imóvel no dia 11/02/2021, às 13:30.

O laudo foi apresentado e o Perito concordou com o valor pago. Como o valor que o perito apresentou é maior, nosso advogado solicitou a liberação dos valores das ações trabalhistas uma vez que o valor depositado é suficiente para cobrir as ações e não causa prejuízo ao processo.
A resposta da juíza foi que ela precisava ver os credores antes de liberar. Dois anos só pra levantar os credores???

Estamos na mão dela e não gostaríamos de estender esse prazo mais nenhum dia é claro. Não há mais nenhum movimento que nosso advogado possa fazer em nosso favor.
Agora já se passaram 4 anos!!!

Por isso estamos levando o caso ao conhecimento da mídia. Quem sabe a Juíza possa dar mais informações sobre a liberação de nossos valores e/ou liberar efetivamente.

Que este processo seja resolvido de uma vez por todas. Que seja “dado a Cézar o que é de Cézar”.
Afinal, verbas trabalhistas são prioridade!

Que os valores devidos a cada trabalhador sejam pagos para que possamos virar essa página e dar sequência em nossas vidas.

Assinam esta carta, Eu, Rosimery, que, redigi a carta e mais alguns dos trabalhadores do CENTRO EDUCACIONAL DENTE DE LEITE:

ROSIMERY PETT VIEIRA
Divorciada, 1 filha
Trabalhou 3 anos como Professora de Teatro

ADRIANE RIBEIRO
Casada, sem filhos
Trabalhou 5 anos como Professora

BRUNA DE QUADRA STENGER
Solteira, Sem filhos
Trabalhou 4 anos como Auxiliar de Classe

MÁRCIA ELISANDRA MATOS DUBIELLA

CARLOS ALBERTO REINKE
Solteiro, 1 filho
trabalhou 3 anos como Professor

CIRLEY TERESINHA LENZI ANDREATTA
Separada, 2 filhos
trabalhou 4 anos como Secretária

CLEUSA APARECIDA DE QUADRA
Casada, 1 filha
Trabalhou 22 anos como Auxiliar de Classe

DENISE CRISTINA SERMAN
Divorciada, 2 filhos
Trabalhei 11 anos como Professora de Inglês

EDEMILSON MARCELO ANDREATTA
Separado, 2 filhos
Trabalhou 9 anos como Professor de Informática

ELISANGELA RAITZ
Solteira, sem filhos
trabalhou 01 ano e 01 mês como Professora

ELIZIANI MARIA FERREIRA DOS SANTOS
Solteira, sem filhos
Trabalhou 4 meses como Auxiliar de Sala

FABIANE DA ROSA SABEL
Casada, 1 filho
Trabalhou 12 anos como Professora

FRANCINI STEIN
Solteira, Sem filhos
trabalhou 1 ano como Professora de Dança

GILSON FABIO FODI
Casado, 2 Filhos
trabalhou 9 anos como Professor

INOCÊNCIO ADÃO T. DE OLIVEIRA
Casado, 4 filhos
Trabalhou 9 anos como Professor de Yoga.

JAQUELINE ORZEHOWSKI DE LIMA
Casada, sem filhos.
Trabalhou quase 17 anos como Professora

JEAN DA SILVA

JULIANA PATRICIO ILIBIO
Casada, 2 filhos
Trabalhou 3 meses como Professora

KARINA DANIELA KANZLER FERREIRA

KELLY CERQUEIRA TRAPP
Casada, 2 filhas
Trabalhou 2 anos como Auxiliar de Sala.

LEODETE ALBERTINA DE SOUZA
Casada, sem filhos
Trabalhou 15 anos como Cozinheira

LUANA DE FATIMA ABUQUERQUE
Solteira, 1 filho
Trabalhou 10 meses como Professora

LUCIANA CRISTINE PINTER

NEIVA JACKINY DA SILVA DE SOUZA
Casada, 2 filhos
Trabalhou 6 anos como Professora

ROSIMERI MATTEUSSI
Casada, 5 filhos
Trabalhou 1 ano e 7 meses na Limpeza

ROSIMERY PETT VIEIRA
Divorciada, 1 filha
Trabalhou 3 anos como Professora de Teatro

SCHEILA GONÇALVES DE LIMA
União estável, 1 filho
Trabalhou 5 Anos como Professora

SUELEN RIBEIRO DE JESUS GARCIA
Casada, 1 Filho ,
Trabalhou 6 Anos como Professora

TAINARA MARTHENDAL
Solteira, sem filhos
trabalhou 40 dias como Professora

VILMA DIETRICH RIBEIRO
Casada, 2 filhos
Trabalhou 14 anos como Auxiliar de Serviços Gerais.

WERNER MASSAKI MAUL PINTER

 

 

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