Oxford/AstraZeneca: maior intervalo entre 1ª e 2ª dose ou aplicação de 3ª dose ampliam imunidade, diz estudo

Por: Elissandro Sutil

28/06/2021 - 16:06

A Universidade de Oxford, na Inglaterra, divulgou um estudo nesta segunda-feira (28) que mostra que a vacina contra a Covid-19 desenvolvida em conjunto com o laboratório AstraZeneca registrou aumento da resposta imune com a aplicação de uma terceira dose, que atualmente não está prevista no esquema de vacinação.

A pesquisa também apontou que a ampliação do intervalo entre as duas doses atualmente previstas também amplia a proteção oferecida pela vacina.

Sobre a terceira dose, os dados mostraram que o reforço, depois de ao menos seis meses da segunda dose, foi capaz de aumentar a resposta imune em até seis vezes e ainda de manter a produção dos chamados linfócitos T, que são células com funções imunológicas de efetuação de respostas antivirais.

Porém, os pesquisadores ressaltam que por enquanto não há a necessidade de uma terceira dose, o principal motivo seria a escassez de vacinas na maioria dos países. O governo britânico está estudando se haverá a necessidade de uma campanha de reforço da vacinação no outono inglês.

De acordo com Teresa Lambe, professora associada de Oxford, os dados esclarecem a dúvida se a utilização de uma dose seria eficiente no caso da necessidade de uma campanha de reforço.

“Houveram algumas dúvidas se poderíamos usar a vacina em uma campanha de reforço, e certamente não é isso que os dados estão apontando”, disse Teresa, segundo a agência Reuters.

Teresa Lambe. Foto: Universidade de Oxford.

“Os dados da efetividade no mundo real mostram que essas vacinas têm um grande impacto contra a hospitalização. E há tantos países ao redor do mundo que ainda não aplicaram uma dose, então, no momento, acho que essas doses deveriam ir para esses países. Esse cenário pode mudar como vimos no inverno e talvez possamos ver que a eficácia desta vacina precisa de um impulso, mas no momento eu não acho que estamos vendo essa evidência”, reforça Teresa.

Outro ponto citado no estudo é que a terceira dose aumentou a atividade neutralizante contra as principais variantes do novo coronavírus no Reino Unido, a alfa (inglesa), beta (sul-africana) e delta (indiana).

Intervalo estendido

A pesquisa mostra que um intervalo estendido de 45 semanas (aproximadamente 11 meses) entre as primeiras duas doses da vacina aumentou a resposta imune em até 18 vezes, 28 dias após tomar a segunda dose da vacina.

No Brasil, atualmente é utilizado um intervalo de 12 semanas (três meses) entre as doses da vacina.

A AstraZeneca fala que o intervalo maior mostra que uma demora na aplicação não afeta o efeito da vacina no corpo.

Nature e vacinas de RNA mensageiro

Outro estudo, publicado nesta segunda-feira (28) pela revista Nature, mostrou que as vacinas de RNA mensageiro desenvolvidas pela Moderna e Pfizer/BioNTech podem desencadear uma resposta imunológica persistente que garantiria uma proteção a longo prazo contra o vírus.

A pesquisa, realizada com 41 pessoas mostra que, caso a evolução de variantes não seja significante, não será necessário aplicar doses de reforço nas pessoas que receberam esses imunizantes.

*Com informações de G1.