O Movimento Direita Jaraguá do Sul (MDJS), organizou, na noite desta quinta-feira (19h), um encontro na Câmara de Vereadores para debater o que classifica como ativismo político do Supremo Tribunal Federal (STF) e discutir a mobilização nacional prevista para 1º de março. A reunião marcou a primeira atividade do ano do MDJS, grupo que atua há três anos na cidade com encontros mensais.
A convidada da noite foi a advogada Dra. Tanieli Telles, que atua na defesa de réus dos atos de 8 de janeiro e preside o Instituto Gritos de Liberdade. Durante a exposição, ela afirmou que vê com satisfação a mobilização local do movimento da direita de Jaraguá do Sul. “Fico feliz porque as pessoas estão se mobilizando diante da situação hoje fática do país”, declarou.
Na avaliação da advogada, o Brasil enfrenta um cenário de “perseguição política”, com “preso político” e “exilados políticos”. Segundo ela, o objetivo foi apresentar “a realidade dessas prisões, desses abusos, de toda a perseguição que hoje a direita vem sofrendo”.

Tanieli Telles atua na defesa de réus dos atos de 8 de janeiro e preside o Instituto Gritos de Liberdade | Foto: Fábio Junkes/OCP News
Críticas ao STF
Ao comentar a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro, a quem chamou de “o próprio líder da direita”, afirmou considerar “inadmissível” que um opositor político esteja “preso, condenado hoje”.
Tanieli também criticou as decisões judiciais relacionadas aos casos do 8 de janeiro. “Essas pessoas foram condenadas sem individualização de pena, de conduta, sem a garantia do devido processo legal, do contraditório, enfim, da pré-defesa”, disse. Sobre a revisão das penas, acrescentou: “Hoje nós temos a situação da dosimetria da pena, vai diminuir significativamente a pena dessas pessoas. Para mim não se dosa a pena de inocente.”
Apesar disso, reconheceu limitações no cenário político. “Como nós sabemos que dentro da conjectura hoje política do Brasil, nós não temos força política para passar uma anistia, então o que tem para nós hoje? A dosimetria”, afirmou, defendendo que a medida pode “levar os presos políticos para casa” e “trazer os exilados para casa também”, para posteriormente retomar a discussão sobre anistia.

Reunião marcou a primeira atividade do ano do Movimento Direita Jaraguá do Sul | Foto: Fábio Junkes/OCP News
Casos na região
A advogada informou que acompanha atualmente “em torno de 200 processos tramitando na Suprema Corte”.
No âmbito local, destacou que a situação também atinge a região Norte de Santa Catarina. “Aqui em Jaraguá nós temos presos tornozelados, nós temos pessoas denunciadas”, disse, observando que denúncias foram apresentadas no final do ano passado, “depois de praticamente três anos”. Segundo ela, há ainda condenados e pessoas em “autoexilados”.
Tanieli citou municípios como Guaramirim, São Bento do Sul, Mafra e Joinville. “Jaraguá do Sul tem, Guaramirim tem, (…) aqui na nossa região tem, Joinville principalmente, são centenas de presos e perseguidos ali, exilados”, afirmou. Para a advogada, trata-se de “uma realidade dentro da nossa própria casa”.
De acordo com as informações apresentadas por ela, cinco pessoas estão efetivamente condenadas — quatro de Jaraguá do Sul e uma de Guaramirim. Outras cerca de 30 respondem a processos, entre investigados e denunciados, sem condenação transitada em julgado.
Ainda segundo Tanieli, alguns processos e investigações seguem sob sigilo, especialmente os que tratam da organização de caravanas e do financiamento de transporte. Ela afirmou que pessoas que contribuíram com valores como R$ 100, R$ 500 ou R$ 1.000 para o pagamento de ônibus são tratadas como financiadoras nas investigações.