Há um motivo para existir um monumento aos suíços em frente ao Museu de Arte de Joinville. É para nos lembrar que mais de 700 deles estavam nas primeiras levas de imigrantes que aportaram na Colônia Dona Francisca e da enorme importância que tiveram na construção e pujança da cidade, algo por vezes desconhecido e até ignorado.
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Porém, essa memória segue viva, não só em marcos físicos, mas pelas mãos do Instituto Suíço de Joinville, que entra em nova e intensa fase de atividades com a conquista de uma sede própria, uma centenária casa na entrada de Joinville que reflete a manutenção da história e da cultura que é a missão do instituto. A inauguração da nova sede está marcada para o dia 9 de março, às 10h30.
O Instituto Suíço de Joinville foi criado em 1º de agosto de 1999 com o objetivo de resgatar a presença suíça na cidade e repassar essa história para as novas gerações por meio de ações culturais, educacionais e de pesquisa. Um exemplo é o programa Joinville Também é Terra de Suíços, desenvolvido em 2024 para informar toda a comunidade joinvilense sobre a vinda dos suíços para cá e seus desdobramentos..

Divulgação/Instituto Suíço de Joinville
Tais atividades podem agora ser ampliadas com a nova sede, onde o instituto está instalado desde dezembro. Trata de uma residência enxaimel construída em 1898 na rua Ottokar Doerffel, pertencente à Prefeitura, que estava sem uso desde 2021, quando a empresa Buschle & Lepper a transferiu para o local atual, ao lado do Convention Bureau, próximo ao viaduto da BR-101. Após receber autorização para uso da casa, o instituto bancou uma grande reforma que contemplou o forro, a rede elétrica e a lavação da parede externa.
A partir de então, os cerca de 20 membros do instituto têm um lugar fixo para suas reuniões mensais e desenvolvimento de ações voltadas à imigração suíça em Joinville e seus desdobramentos ao longo da história, e o público, um novo espaço para conhecer o passado de Joinville.
Uma exposição com 32 painéis contando a história da imigração suíça em Joinville, produzida no próprio país europeu e com legendas (traduzidas) em alemão, adorna a sala; num dos cômodos foi instalada uma mostra de 12 postais antigos recebidos da Suíça por Jacob Bachmann, mestre tecelão que morou em Curitiba e cuja neta, Dolores Heinzelmann, cedeu as cópias para o instituto; outro cômodo foi reservado para receber as crianças com painéis sobre a cultura suíça, jogos, pinturas e iniciação ao alfabeto alemão. A casa também abrirá para contação de histórias, saraus, lançamento de livros, exposições e oficinas relacionadas à história e à cultura germânica.
Schaffhausen
Tudo isso poderá ser conferido no dia 9 de março pelos joinvilenses e pela comitiva de Schaffhausen, cidade de onde partiram os primeiros imigrantes suíços rumo ao sul do Brasil. Fazem parte do grupo membros do governo do Cantão de Schaffhausen e da Associação da Parceria Schaffhausen-Joinville – o instituto integra o Programa Cidades Irmãs e também o Sistema Municipal de Museus de Joinville.
“Temos em Schaffhausen um grande motivador para a nova sede”, explica Roseli Ritzmann, presidente do instituto, que no ano passado realizou uma exposição naquela região. “Observamos que para eles é de grande valor o que estamos fazendo com a abertura de um local próprio. A influência é grande no sentido de que eles nos apoiam muito. Isso reforça ainda mais os nossos vínculos”.
A parceria entre as cidades irmãs de Schaffhausen e Joinville é fundamental para as ações do instituto. Graças a ela, foi possível produzir uma segunda edição do livro “Suíços em Joinville – o Duplo Desterro”, publicado originalmente em 2007 pelo historiador Dilney Cunha e usado nas escolas da Suíça. Já o documentário baseado no livro, “Suíços Brasileiros, uma História Esquecida” (2013), finalmente conseguiu ser liberado para o YouTube em outubro passado, depois que Schaffhausen comprou os direitos autorais do filme, o que possibilitou um acesso mais amplo a ele. O link está disponível no Instagram @instituto_suico.
“Em minha opinião, o grande serviço prestado pelo instituto é o resgate da colonização de Joinville, que não era conhecida da forma como aconteceu e que consta no livro de Dilney Cunha. E também dar apoio e orientação aos descendentes e turistas que necessitam de ajuda e esclarecimento”, afirma o empresário Alberto Holderegger, um dos fundadores do instituto, assim como seu pai, o suíço Guilherme Holderegger.
SERVIÇO
O QUÊ: Inauguração da sede do Instituto Suíço de Joinville e abertura de exposições.
QUANDO: Dia 9 de março, às 10h30 (cerimônia de inauguração para autoridades e convidados), e das 14h às 18h (exposição para o público).
ONDE: Instituto Suíço de Joinville, rua Ottokar Doerffel, 1.733, Atiradores.
QUANTO: Gratuito.