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Cirurgia no cérebro é feita pela 1ª vez em pesquisa que busca tratar obesidade

Foto: Agência Gov

Por: Priscila Horvat

24/03/2025 - 11:03

Uma cirurgia inovadora realizada pelo Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG) promete abrir novos caminhos no tratamento da obesidade mórbida. Pela primeira vez na América Latina, médicos implantaram eletrodos no cérebro de um paciente para controlar a compulsão alimentar. O procedimento foi feito na última terça-feira (18) e faz parte de um estudo experimental.

O paciente, Ivan dos Santos Araújo, de 38 anos, pesa 183 quilos e já tentou diversos tratamentos sem sucesso. Ivan conta que começou a ganhar peso aos nove anos de idade e que já fez tratamentos com nutricionistas e endocrinologistas.

Em 2015, após um acidente, ele não conseguiu mais perder peso: “Por ter que ficar parado demais, não poder me exercitar, eu não conseguia perder peso. E a obesidade atrapalha a vida em todos os aspectos, atrapalha andar, fazer qualquer coisa do dia a dia normal de uma pessoa”.

Estimulação cerebral para tratar a obesidade

A técnica utilizada é a estimulação cerebral profunda do núcleo accumbens, uma região do cérebro que está relacionada a recompensa, prazer, vícios, medo, entre outros. O objetivo é regular os impulsos de compulsão alimentar. O neurocirurgião responsável pelo procedimento, Osvaldo Vilela, explica a escolha do local: “A obesidade é uma doença, usualmente gerada por uma compulsão, então fizemos um projeto objetivando atuar justamente nesses circuitos cerebrais associados a recompensa e prazer”, explica o profissional do HC-UFG”.

A cirurgia, porém, ainda está em fase de pesquisa e não faz parte dos tratamentos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). O estudo envolve uma parceria entre o HC-UFG e a Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, que também realiza experimentos semelhantes.

Pesquisa inédita e acompanhamento rigoroso

O projeto começou a ser desenvolvido em 2017 e recebeu aprovação do Comitê Nacional de Ética em Pesquisa. Além de Ivan, outros quatro pacientes serão submetidos ao procedimento e acompanhados por dois anos para avaliar a eficácia da técnica.

“Ainda não sabemos qual a melhor forma de ativar os eletrodos. O estudo seguirá diferentes combinações até encontrarmos a mais eficiente”, detalha Vilela.

Atualmente, a cirurgia bariátrica é a principal alternativa para casos graves de obesidade, mas nem sempre funciona. Cerca de 20% dos pacientes não apresentam melhora. A nova abordagem busca oferecer uma alternativa para esses casos, agindo diretamente no cérebro.

O HC-UFG faz parte da Rede Ebserh, que gerencia 45 hospitais universitários no Brasil, promovendo ensino, pesquisa e inovação no setor de saúde.

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Priscila Horvat

Jornalista especializada em conteúdo de saúde e puericultura.