A terceira idade e suas lições de convivência

Foto: Divulgação/PMJS

Por: Isabelle Stringari Ribeiro

30/08/2022 - 10:08 - Atualizada em: 30/08/2022 - 10:55

Vitalidade, troca de experiências e uma forma de superar problemas como isolamento com muita disposição e alegria. Na sétima é ultima reportagem da série sobre o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) feito nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) em Jaraguá do Sul, o destaque será o trabalho feito com os idosos no bairro Santo Antônio.

Hoje, a unidade atende aproximadamente 50 pessoas por meio do SCFV sendo esse público formado por crianças, adolescentes e idosos. Entre os profissionais envolvidos nesse trabalho está a educadora social, Giane Ropelato Voltolini. Com experiência de quem já atua há 14 anos no atendimento prestado nos Cras e o próprio Centro de Convivência Arnoldo Leonardo Schmitt, ela admite que se identifica mais com o trabalho feito junto ao grupo da Terceira Idade.

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“Sempre diante das situações de conflito, eles demonstram uma disposição de não desistir. Essas pessoas te dão uma lição de vitalidade. Por meio do serviço convivência eles trocam suas experiências, tanto os problemas como as alegrias, mas sempre há uma palavra de motivação de esperança. Querem viver muito e essa convivência, na qual cada um contribui e ajuda o outro”.

Com formação na área de música, Giane busca adaptar seu conhecimento a atividades que envolvem movimento.

“Não para ficar restrito ao canto ou ao instrumental a gente adota essa dinâmica. Uma junção que está dando certo. A gente trabalha a concentração, a memória, a articulação, a fala e eles reproduzem cantando, dançando que é o que eles gostam”.

Há seis anos integrante do grupo de idosos, Teresina Fiamoncini, 72 anos, é uma das mais extrovertidas.

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“Gosto de vir aqui me divertir, conversar, dar risada, falar umas besteiras de vez em quando. Para quem mora sozinha com dois gatos é a melhor coisa que existe”, diz bem-humorada. Sua colega Joana Barbosa, 77 anos, vai na mesma linha. “Aprendi muita coisa nestes quatro anos que estou aqui”, emendou.

Já o aposentado Francisco de Paula, 73 anos, parece não se importar com as brincadeiras em relação ao seu bigode grisalho. “Bonito, né?” observa sorridente. Questionado sobre o que o levou a frequentar o grupo, ele não pensa duas vezes: “Foi ela”, afirma apontando para sua esposa, Leonina França, 67 anos. “Verdade, eu vim primeiro e depois trouxe ele junto”, respondeu a sua companheira. O casal este ano completa bodas de ouro – 50 anos de casados – e parecem estar bem à vontade com convívio semanal com o grupo no Cras.

Além das dinâmicas mencionadas, a recente realização de uma animada festa junina deixou ainda mais evidente a sintonia das equipes do Cras e os grupos assistidos. Para a supervisora do Cras Santo Antônio, a terapeuta ocupacional Eleonora Weimar de Melo, esta atmosfera no grupo é consequência do trabalho feito junto aos grupos.

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“A gente procura fazer um ambiente que seja realmente muito acolhedor. Que eles sintam confiança nesse trabalho, algo que nossa educadora Giane faz com muita maestria. Ela os cativa sempre com uma dinâmica diferente, mas nunca deixando de trabalhar os temas transversais – direitos da pessoa idosa, saúde, convivência social – que é o nosso foco. A gente sempre procura abordar de uma forma interessante a até descontraída”.

Eleonora ressalta ainda que o Serviço de Convivência existe para para complementar o trabalho do Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (Paif).

“Procuramos fazer nas reuniões de estudos de casos dessas famílias para verificar o que pode estar incluindo nesse trabalho para fortalecimentos desses vínculos”, completou a supervisora.

Balanço final – Iniciada no dia 3 de junho no Cras Vila Lenzi, a série sobre o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos chega ao fim. A gerente de Proteção Básica da Secretaria de Assistência Social e Habitação, Bruna Nagel, fez um balanço da sequências de matérias sobre o tema.

Foto: Divulgação PMJS

“O objetivo de realizarmos a série de matérias divulgando o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos realizados nos sete Cras foi de mostrar à comunidade jaraguaense uma parte dos serviços oferecidos pelos Cras, que vai muito além da liberação de benefícios e atendimentos individuais. Esses grupos, como o próprio nome já diz, tem o objetivo de fortalecer os vínculos familiares e comunitários dos usuários, e as matérias elucidaram isso de uma forma leve, divertida e estimulando a participação da comunidade. Independente da idade do usuário, é através das brincadeiras, grupos, artesanatos, conversas, atividades esportivas (entre outras) que conseguimos também falar de assuntos sérios e trabalhar isso posteriormente com a equipe técnica, dando os encaminhamentos necessários. Nosso papel quanto Cras também é estimular a convivência, o lazer, o vínculo com a comunidade e fazer com que esses usuários se sintam acolhidos e pertencentes aos nossos Cras. Agradeço todos os usuários que fizeram parte das matérias e aos profissionais que se dedicam diariamente em oferecer o melhor aos usuários.”

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