Por: Kinga Somogyi

 

O tratado de Trianon dando fim à Primeira Guerra Mundial foi um acontecimento tão perturbante para a nação húngara que ainda hoje em dia precisamos enfrentar as suas consequências políticas, econômicas, legislativas e psicológicas, irresolvidas.

O pacto imposto à Hungria foi assinado 100 anos atrás, no dia 4 de junho de 1920 às 16h32 no Palácio Grand Trianon de Versailles, na França.

Em 2010, a Assembleia Nacional da Hungria reforçou por lei que todos os húngaros – vivendo em qualquer canto do mundo – fazem parte da nação húngara unida e o dia 4 de junho tornou-se o dia da União Nacional Húngara.

O Reino da Hungria e o Império Austríaco formavam a Monarquia Austro-Húngara em 1867 na Europa Central.

Na guerra global do século XX, na Primeira Guerra Mundial, a Monarquia Austro-Húngara participou fazendo parte dos Impérios Centrais como aliada do Império Alemão, do Império Otomano e da Bulgária.

A “Grande Guerra” terminou com a vitória da Tríplice Entente. Por conseguinte, a Hungria – estado sucessor da Monarquia Austro-Húngara – foi um dos perdedores da Primeira Guerra Mundial.

A perda de Trianon é a maior tragédia da história húngara. Não se trata de um tratado de paz baseado em compromisso mútuo, pelo contrário, falamos de uma imposição dos poderes vencedores da Primeira Guerra Mundial.

Em consequência da assinatura do ditame injusto, o Reino da Hungria perdeu mais de dois terços do seu território, mais da metade da sua população.

Perda territorial da Hungria em consequência do tratado de Trianon.

Antes da implementação do documento histórico, várias nacionalidades moravam no país a partir do reino do nosso primeiro rei, Santo Estêvão. O Reino da Hungria caraterizava-se de uma diversidade étnica e cultural relevante.

Como a resultado das decisões de Trianon, 10,6 milhões de habitantes do Reino Húngaro tornaram-se cidadãos de outros países. 3,2 milhões de habitantes húngaros ficaram especialmente sob domínio das autoridades romenas, checoslovacas e iugoslavas e o seu acesso à língua e cultura húngara ficou restrito.

Em 1920, no Palácio Grand Trianon aconteceu um tal desastre para a Hungria que atingiu todas as áreas da vida e cujas consequências desempenham um papel significativo para os húngaros ainda hoje em dia.

Trianon não é apenas o nosso passado, mas o nosso presente também. Evoca emoções fortes em nós húngaros, as feridas não estão cicatrizadas mesmo passados 100 anos.

O tratado de Trianon foi uma das maiores tragédias da nação húngara.

Nos dias de hoje, dos 15 milhões de húngaros do mundo, 10 milhões levam a sua vida na Hungria, 2,5 milhões na Bacia dos Cárpatos fora das fronteiras de Trianon e mais 2,5 milhões na diáspora.

Costumamos dizer que a Hungria é um país que faz fronteira com ela própria – fazendo referência aos danos causados em 1920.

Os estados-nações que apareceram depois do tratado pondo fim à Grande Guerra, em vez de incentivar a preservação da língua húngara como língua materna de muitos e da cultura húngara, adotaram na maioria das vezes estratégias encorajando a assimilação.

No entanto, a nação húngara, que vai além das fronteiras, era capaz de se fortalecer do ponto de vista intelectual, cultural, econômico e de sobreviver às seguintes tragédias históricas que surgiram após 1920.

Atualmente, de acordo com os princípios assumidos pela Hungria, todos os húngaros fazem parte da nação húngara, vivam onde viverem. A pátria-mãe faz o seu possível para ajudar a preservação da identidade húngara no estrangeiro, está em contato com as diferentes comunidades húngaras de várias maneiras.

O programa Rákóczi permite, por exemplo, que os jovens, descendentes de húngaros da diáspora, conheçam à terra natal dos antepassados, a Hungria.

O programa Balassi estimula a participação em cursos linguísticos e culturais em Budapeste.

Os bolsistas do programa Kőrösi Csoma Sándor ajudam a comunidade húngara da cidade através da Associação Húngara de Jaraguá do Sul desde 2014 a fortalecer a sua identidade húngara e a reconhecer as raízes.

Em 2018 foi inaugurado o Consulado Honorário da Hungria em Jaraguá do Sul tornando possível o estreitamento mais profundo dos laços com a Hungria.

Hoje, em várias partes do mundo vivem e florescem comunidades húngaras graças aos esforços da Hungria e graças ao reconhecimento dos membros da sua nação.

No século XXI a Hungria é um pequeno país europeu, um portal entre o Leste o Oeste. No seu passado de mais de mil anos, enfrentou vários desafios, mas nunca renunciou dos seus valores, preservou a sua identidade nacional, a sua cultura e a sua língua extraordinária.

Em consequência dos inúmeros obstáculos da história húngara, hoje em dia coração húngaro está batendo em diversos cantos do planeta, em muitos de nós também, aqui em Jaraguá do Sul.

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Kinga Somogyi, originária de Veszprém, Hungria. Enviada pelo programa Kőrösi Csoma Sándor do governo húngaro a fim de ajudar a comunidade húngara da região através da Associação Húngara de Jaraguá do Sul.

O presente material foi encaminhado pelo Consulado Honorário da Hungria em Jaraguá do Sul.