Outro dia, assisti a reações exaltadas em torno de um jogo de futebol.
Xingamentos, decepção, raiva. E me peguei pensando: não é sobre futebol. Nunca foi.
É sobre a distância dolorosa entre o que esperamos e o que a vida nos entrega.
Fazemos isso com a seleção. Fazemos isso com os filhos. Com o cônjuge. Com os amigos. Com nós mesmos. Erguemos um “pedestal imaginário” para as pessoas ao nosso redor e depois as cobramos por não conseguirem permanecer em pé nele.
Quando a cobrança aumenta, a gratidão desaparece. Quando as expectativas se tornam excessivas, perdemos a capacidade de enxergar o que está bem, o que é real, o que basta.
Isso não é apenas filosofia. É medicina.
Os dados brasileiros são contundentes.
A prevalência de depressão no país cresceu 36,7% em apenas seis anos de 7,9% para 10,8% entre 2013 e 2019. Entre jovens adultos desempregados, de 18 a 24 anos, esse número quase triplicou. Hoje, aproximadamente 30% dos adultos da região metropolitana de São Paulo apresentam algum transtorno mental ao longo do ano. Os transtornos de ansiedade afetam quase 1 em cada 5 brasileiros.
Números assim não surgem do nada. Eles têm contexto, têm rosto, têm história.
Parte dessa história é econômica: recessão, desemprego e desigualdade. A ciência mostra com clareza que, quanto maior a privação social, maior o adoecimento mental. Mas outra parte dessa história é relacional e é aqui que poucos falam.
Vivemos em uma cultura que confunde exigência com amor. Que trata cobrança como motivação. Que pune o erro em vez de compreendê-lo. E cada pessoa carrega consigo uma história própria, um ritmo próprio e feridas que nem sempre aparecem na superfície.
O problema não é ter expectativas. É não perceber quando elas deixam de ser bússola e passam a ser corrente.
Como médico, vejo diariamente o que esse peso produz: insônia, ansiedade, depressão e adoecimento físico. E vejo também e isso é o que me move o que acontece quando alguém aprende a soltar. Quando troca a exigência pela presença. A comparação pela realidade. O julgamento pela compreensão.
A saúde mental floresce exatamente aí: não na ausência de dificuldades, mas na capacidade de lidar com a vida como ela é e não apenas como gostaríamos que fosse.
Vale a reflexão: de quem você está esperando mais do que essa pessoa pode oferecer neste momento? E de si mesmo, o que você tem exigido além do que consegue sustentar hoje?
Essa pergunta, feita com honestidade, pode ser o começo de algo importante.
Sou Dr. Hugo Oliveira, oncologista pediátrico e criador do Antídoto Club.
Minha trajetória não foi uma escolha. Foi uma conclusão clínica.
Após 15 anos tratando câncer e tendo enfrentado um aos 14 entendi que o problema raramente começa onde aparece. As mesmas desregulações químicas que adoecem o corpo… são as que destroem energia, clareza e liderança.
Foi assim que nasceu o Antídoto Club.
Um movimento para homens de alta performance que ainda entregam… mas já começaram a pagar o preço no corpo.
Não é coaching. Não é terapia.
É medicina aplicada à performance humana.
Antídoto Club – A dose certa para transformar a sua realidade.
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