Falta pouco menos de um mês para começar a décima edição da Feira do Livro de Jaraguá do Sul e estamos a todo vapor, com as inúmeras peças a serem encaixadas no grande quebra-cabeça que é um evento (literário ou não), então, mesmo querendo, não há como pensar em outra coisa. Um evento literário é uma das formas de fazer “barulho” com a leitura. É uma das vozes da leitura e dos livros, assim como outros meios que escritores, editoras, livrarias e leitores que querem conversar sobre livros com outras pessoas encontram (ou inventam), na esperança de serem ouvidos nesse mundo cheio de ruído. E, para que nosso ruído seja um barulho sinfônico, um barulho assertivo, define-se um tema, um norte para ser festejado e debatido nos onze dias de evento. Uma feira, como a jaraguaense, tem um importante papel na formação de leitores. Depois de dez anos de realização, temos a felicidade de ver estudantes que compareceram na primeira edição, em 2006, na Praça Angelo Piazera, quando iniciaram sua alfabetização e, agora já estão analisando opções de faculdade, se preparando para o vestibular. Jovens de 16 anos, que vieram com seus pais e agora trazem seus filhinhos para mexer nos livros, ouvirem histórias. Vemos crianças de oito, nove anos que não imaginam como é morar numa cidade onde não exista uma feira de livros, assim como não imaginam como é a vida sem celular. Pensando sempre em mostrar um pouquinho mais desse universo para todos os visitantes da Feira é que criamos um tema que apresente a leitura, a literatura de uma forma diferente. Certa edição, Carlos Schroeder, que coordenou o evento até ano passado, disse que a leitura está em toda parte. Que, diariamente, reescrevemos nossa própria história sobre quem somos, nossos sonhos, nossos planos, nosso passado. Parece óbvio, não? Meio lógico que saibamos quem somos, não é? Mas, e quem é assolado pela doença de Alzheimer? Que não é capaz de recriar a sua própria história? Da mesma forma lemos nossos amigos, nossa cidade, nossos pais, filhos, esposas e maridos. Só existimos por que contamos histórias. Nesse ano, para complementar a leitura em toda parte, queremos mostrar “a literatura em todas as artes”. Apresentar a literatura como ponto de partida para criações no teatro, no cinema, na música, nas artes plásticas... Começando com “uma história chamada Literatura”, que traz uma conversa com Milton Hatoum, autor considerado um dos mais importantes escritores vivos do Brasil, onde falaremos de todas as possibilidades da literatura e adaptações realizadas a partir de sua obra e falaremos sobre leitura de formação infanto-juvenil com a Paula Pimenta. Teremos um bate-papo (baita-papo) com Fernando Bonassi, roteirista e cineasta e uma mesa redonda de dramaturgia com Samir Yazbek, importante dramaturgo na cena nacional. Na música, a literatura como ponto de partida ficará bem clara com uma fala do Gelson Bini, que mostrará diversas bandas que se basearam em livros para criar o suprassumo do rock, como Iron Maiden e Pink Floyd, além de testemunharmos o uso de histórias para criar contações, performances e espetáculos musicais. Agora é contar os dias e vir pra feira. Só não vou lhes esperar de braços abertos, por que estarei com as mãos cheias de livros...