Texto do Prof. Paulo Moretti

É de todos sabido ser a educação um processo dinâmico e, como tal, a escola que a ministra não pode arvorar-se no direito de ser conservadora, em prejuízo da própria renovação que o ensino requer como instrumento da aprendizagem.

A função renovadora da escola reside na clarividência dos seus dirigentes, a quem cabe superar deficiências em favor de organismos ágeis que haverão de determinar a mobilidade dos agentes incumbidos de mudar o eixo de determinadas atividades escolares, virtualmente marcadas por sintomas de pernóstica linha conservadora.

A espantosa transformação por que vem passando a escola, deve tornar evidente a preocupação de determinar, com clareza, em que pontos e até que grau o processo conservador ou renovador deva prevalecer, seja absorvendo imperativos de uma época, seja evidenciando alternativas de uma evolução, dentro da complexa estrutura da atividade pedagógico administrativa.

No tocante às dificuldades de antanho e às facilidades de hoje, há que se ressaltar a exigência de desprezar improvisações comprometedoras em favor de planificações estruturais, a despeito de notórias deficiências que impedem um êxito maior que tenha, em seu bojo, um ensino de qualidade, o que vale dizer, um ensino identificado com a modernidade, uma educação comprometida com o social, capitalizando ações abrigadas à luz de uma proposta inovadora, de uma escola renovadora.

É temerário atribuir-se exclusivamente à escola a responsabilidade de melhorar e ampliar a herança de um passado em que a ojeriza por mudanças impede a superação de determinadas barreiras. Impõe-se, a partir desta evidência, que a sociedade se submeta à aspiração de renovação, superando notórias deficiências existentes na escola tradicional.

De outra parte, impõe-se que se resguarde a justa medida entre a escola conservadora e a renovadora, sempre que o interesse educacional se sobrepuser a soluções comprovadamente insatisfatórias. Não será ao sabor de um impulso hedonístico que processos de inovação se implantarão, mas a partir do alcance dos objetivos colimados.

O que se nos parece prudente é que o interesse educacional e a ordem social se harmonizem nesta empreitada em que o equilíbrio e o bom senso sejam a tônica de ações desencadeadoras em favor de técnicas e práticas cujo caráter intencional assegure atitudes desenvolvidas com unidade de propósitos e pluralidade de resultados.

Vencendo resistências de setores avessos à renovação, a escola moderna poderá assumir, verdadeiramente, seu papel, tornando diferenciada sua ação e comprovada sua eficiência. Não raro, a inovação requer iniciativa corajosa, participação atuante e vontade inquebrantável, o que torna a escola renovadora não uma unidade contestadora da escola conservadora, mas um valioso instrumento e uma poderosa alavanca de modernidade, nesse dinâmico processo que, quanto mais evolui, mais ganha em excelência e qualidade.