“E então ela se foi...”
“E então ela se foi...”

Queridos leitores, na semana que passou, deixei um espaço por aqui, não tive como escrever minha coluna, pois estive envolvido com as questões do funeral da minha mãe que nos deixou aos 84 anos de idade, seis anos após seu primeiro Acidente Vascular Encefálico.

Mas posso garantir a vocês que foram os seis anos de muito aprendizado, o principal deles, entender melhor as necessidades dos nossos pais.

Ao todo, foram 2.188 dias de convivência e cuidados durante 24 horas por dia. Nesse período, parei de consumir bebidas alcoólicas, tive que recusar convites, tinha hora para sair e chegar em casa, pois precisava estar lá quando ela acordava pela manhã, ou depois do seu soninho da tarde para auxiliar minha irmã e sobrinha nas tarefas como dar banho, levar ao banheiro e até mesmo nas coisas mais simples que era alimentá-la. Sim, nossa mãe tinha virado um verdadeiro bebê que necessitava da atenção de todos nós.

No início era mais tranquilo, tanto é que eu ficava em casa sozinho junto com eles e minha sobrinha Francine Herbst, vinha todas as noites aqui em casa para cuidar dela, dar banho e preparar o jantar para ela e o meu pai, no período em que eu estava lecionando. Com o passar do tempo, as sequelas da doença foram se agravando e minha irmã Lisete e toda sua família, vieram morar aqui em casa para me auxiliar nas tarefas do dia a dia, que se tornaram mais complicadas a medida que o tempo passava.

Durante todo esse período fomos acompanhados pelos excelentes Profissionais: Dr. Cleber Paes (Neuro Cirurgião), Dr. Ricardo Tonial (Cardiologista), Dr. Rangel Oselame (Geriatra) e Drª Nagele Belettini Hahn, também Geriatra, Franco Demo (Dentista), Martina Kienen e Talita Maba (Fisioterapeutas).

Foram muitas as idas e vindas ao Hospital, tanto é que já estávamos conhecidos pelo pessoal do SAMU, Médicos e o corpo de Enfermagem do Hospital São José. Cada vez que chegávamos no Hospital vinham aquelas perguntas: “Oi Zeca, tá aqui com o pai ou com a mãe?” ou então, “Essa é a mãe do Zeca?”, só tenho a agradecer por todo o carinho com que sempre fomos tratados!

Pois então, passado mais um tempo, começaram outros problemas, como infecções urinárias, onde meu grande amigo dos tempos de Escola, Dr. Scharlon Ehmke entrou em cena e sempre nos socorreu quando solicitado.

Depois vieram os ferimentos na pele, entra em cena o Dr. Roberto Coswig Fiss, que chegou a vir em nossa casa para atender a mãe, tamanha era a dificuldade de levá-la até seu consultório. Outros ferimentos foram surgindo nos braços, devido e sensibilidade da sua pele, tendo que recorrer a outro amigo e vizinho Dr. José Emílio Zapata Montaña Junior, que prontamente sempre que solicitado, vinha nos auxiliar.

As coisas começaram a complicar mais ainda, pelo fato dela ficar deitada ou sentada sempre na mesma posição, quando surgiram as temidas “escaras de decúbito”, quando os cuidados tiveram que ser redobrados com os rodízios de posição ou os curativos, onde minha grande amiga Enfermeira Ananda Viecieli , vinha até aqui em casa orientar minha irmã e eu de como deveríamos realizar os curativos.

Os últimos dias foram de sofrimento intenso com as dores, quem aparece é o Dr. Michel Azevedo, meu ex-aluno, que vi crescer correndo pelo pátio do Instituto Educacional Jangada e que tornou-se essa pessoa tão especial a quem recorria também, nos momentos de aflição.

No domingo, dia 17 de maio, não suportando mais ver tanto sofrimento com as dores, levamos a Dona Maria até o Pronto-socorro do Hospital São José, onde fora “atendida” por uma Médica residente que prefiro não citar o nome, mas que a ouvidoria do Hospital ficará sabendo, que nem dignou-se a examiná-la, querendo prescrever uma pomada e dipirona para amenizar as dores intensas que minha mãe estava sentindo.

Perguntei ainda três vezes se ela não iria examinar os ferimentos da minha mãe e ela disse de forma arrogante e prepotente, que até então eu não enxerguei em nenhum dos Profissionais que atenderam a mãe, que ela não precisava examinar os ferimentos, pois ela tinha conhecimento do que se tratava.

Então bati o pé e disse que sairia de lá, só quando ela fosse examinada e ela respondeu que eu teria que esperar a troca de turno. Respondi pra ela que não importava esperar quanto tempo fosse, mas que eu queria sair de lá com minha mãe sendo realmente examinada e devidamente medicada.

Através dos meus contatos, consegui que minha mãe fosse internada, sendo marcada uma avaliação para o dia seguinte e provavelmente um debridamento, devido a gravidade dos ferimentos, coisas que uma simples pomada e dipirona não iriam resolver.

Nos dias em que a mãe permaneceu internada, recebemos todo o apoio de Hospital através do programa 60 +, onde profissionais de diversas áreas como Geriatra, Fisioterapeutas, Nutricionistas, Fonoaudiólogos, Psicólogos e Assistente Social, acompanham os pacientes em suas necessidades. Lembro com carinho de cada uma das Profissionais que acompanharam a mãe em seus últimos dias por aqui, em especial a Drª Nagele (Geriatra), Bruna e Jayla (Fisioterapeutas), Patrícia (Fonoaudióloga), Giana (Nutricionista), infelizmente não lembro o nome da Assistente Social e da Psicóloga. Vocês realizaram um trabalho fantástico.

Não poderia esquecer também das meninas da Enfermagem do setor 3B, que com amor a profissão que abraçaram, fizeram o possível e o impossível tratando a mãe da melhor maneira possível.

Preciso ressaltar e agradecer especialmente, o trabalho do Dr. Adriano Gwadera Bobrzyk e seu auxiliar Dr. Deivid, que sempre estiveram a postos, nos socorrendo nos momentos em que a dor era insuportável.

Dona Maria nos deixou na quinta-feira, dia 21, às 16h20min., dormindo. Sendo que esse era um dos pedidos que eu sempre fazia a Deus, que ela não sofresse ao partir.

Se por acaso esqueci de algum Profissional, que nos auxiliou nos cuidados com a mãe, peço perdão e aproveito para agradecer a todos pela atenção e carinho com que sempre fomos tratados.

Agora a Dona Maria descansa em paz, sem dores ou sofrimentos nos braços do nosso Pai Celestial.

A vocês Profissionais e ao Hospital São José de Jaraguá, em nome de toda a nossa família, a eterna gratidão e respeito.

 

Vamos embora que a litorina não espera.
Até semana que vem!