Quando a previdência privada passou a ser oferecida como produto financeiro no Brasil, criou-se uma falsa premissa, muito simplista, de que bastava a pessoa contribuir com um valor determinado por um certo tempo, que ela teria uma renda pré-definida quando decidisse utilizar aquele valor como aposentadoria. Esta premissa vigorou e continua vigorando, equivocadamente, na mente da maioria das pessoas que buscaram ou que ainda pensam a respeito de previdência privada.

É preciso quebrar essa premissa, pois esse entendimento tornou a contribuição para a previdência um ato passivo, onde a pessoa acredita que a sua preocupação é apenas manter essa contribuição conforme lhe indicaram no momento da contratação da sua previdência. Quero mostrar que a previdência privada precisa ser olhada ativamente, principalmente por aqueles que continuam contribuindo com a intenção de fazer uma reserva financeira para ser usada em um momento futuro.

Para quem ainda não contribui com previdência, uma boa forma de pensar nesse instrumento é o uso de planos de previdência para quem tem imposto de renda abatido na fonte, ou seja, quando o seu imposto de renda já vem descontado no seu salário. O uso de planos chamados de PGBL (plano
gerador de benefício livre), pode ser feito para abater o imposto cobrado na fonte, com valor máximo de 12% da renda anual para essa contribuição. Desta forma, a pessoa transforma uma parte do imposto que pagaria ao governo em uma reserva financeira que pode ser utilizada no futuro.

Outro caminho para a utilização de planos de previdência é o uso para transferir patrimônio entre herdeiros, já que, na maior parte dos estados, os planos de previdência ainda não pagam imposto sobre transmissão de bens – o chamado ITCMD. Além disso, como os planos de previdência têm
beneficiários já determinados, o valor vai diretamente para as pessoas determinadas pelo proprietário do plano. Nesse caso específico, o melhor caminho seria a utilização da modalidade VGBL (Vida gerador de benefício livre).

Mas o grande objetivo desse artigo é gerar um desconforto sobre a passividade no uso de previdência conforme descrito no início. Pensar em previdência para uso como renda futura não pode ser um ato passivo. A maior parte dos planos de previdência existentes no mercado tem rentabilidade muito baixa (em alguns casos, muito próxima à rentabilidade da poupança) e isso pode desmontar os planos de quem pretende usar essa reserva no futuro como complemento à sua aposentadoria.

A rentabilidade baixa, muitas vezes abaixo da inflação, faz com que o valor acumulado ao longo do tempo se torne muito pequeno perto das expectativas criadas no momento da contratação. Por isso, é extremamente importante acompanhar a rentabilidade do seu plano de previdência, pois o futuro pode trazer sustos e frustrações em um momento em que o tempo já não é um aliado.

Olhe ativamente para a sua previdência. Não acredite que ela é uma salvação para o seu futuro sem que você mantenha os olhos abertos. E se precisar de ajuda para avaliar o que está ocorrendo com o seu plano, independentemente da instituição em que você o contratou, conte com a inteligência da Warren.

Texto por César Augusto Corso, especialista em investimentos na Warren. E- mail: [email protected].