Sucessão patrimonial é um assunto que poucas pessoas gostam de abordar, planejar ou analisar. Em minha jornada como planejadora financeira, eu ouço diariamente coisas como: “Já fiz a parte de acumular patrimônio. Meus herdeiros que se entendam depois.”

Ouvir isso sempre me deixa pensativa. Afinal, o que faz uma pessoa construir um patrimônio, fazer escolhas diárias de como gastar seus recursos e decidir a melhor forma para aplicar seu dinheiro, para depois de toda a jornada simplesmente ignorar o esforço de pensar na sucessão? E você, já se perguntou sobre isso?

Planejar uma sucessão, além de ser um processo que poupa custos aos que herdarão o patrimônio, também transmite uma mensagem de legado aos herdeiros, um posicionamento sobre como você gostaria que eles tratassem e dessem continuidade a toda a história que você trilhou em vida. E se você tem filhos, sabe que eles estão sempre aprendendo pelo exemplo.

Hoje no Brasil, os custos de uma sucessão dependem do estado onde você reside. No caso de Santa Catarina, o Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) é de 8%, além dos honorários advocatícios e outras taxas. No total, podemos considerar um custo de 15 a 20%. Sim, esse é o percentual que o seu patrimônio dilui na passagem de gerações!

Por incrível que pareça, isso pode sair ainda mais caro. Digamos que você possui um patrimônio em imóveis e não tratou de planejar a sua sucessão. Acontece de você vir a faltar e seus herdeiros precisam pagar os impostos e custos para abrir inventário, mas hipoteticamente eles não possuem o recurso necessário para arcar com as despesas. Nesse caso, pede-se ao juiz uma autorização para vender um dos imóveis. Para transformar esse ativo em liquidez rápida, o imóvel foi vendido 30% abaixo do valor de mercado. O patrimônio foi mais uma vez afetado.

O planejamento sucessório pode e deve ser feito o quanto antes, pois os instrumentos disponíveis no mercado se tornam mais baratos quanto menos idade se tem. A seguir, listo os instrumentos mais comuns para esta etapa em seu planejamento financeiro.

Administradora de bens. Normalmente composta por imóveis ou empresas da família, pode se fazer a doação ainda em vida de até 50% das cotas disponíveis. Evita aumento de alíquotas do ITCMD e valorização das cotas. Fundo Exclusivo. Permite a antecipação em vida das cotas de até 100% do patrimônio do fundo, evitando aumento de alíquotas do ITCMD e a valorização das cotas.

Seguro de Vida. Um dos instrumentos mais utilizados para a sucessão, mas aqui vale um adendo: pesquise sobre os seguros disponíveis no mercado e faça uma análise da sua apólice atual com um especialista para que você não tenha surpresas futuras.

Previdência Privada. Também é um instrumento de sucessão pelo fato de não cair em inventário, mas cabe ressaltar que em alguns estados a cobrança de ITCMD sobre o saldo de previdência já é uma realidade. Então vale a análise da eficiência dentro do seu plano de sucessão e a comparação com outros instrumentos.

Na Warren, podemos planejar toda a sua vida financeira e desenhar o planejamento sucessório ideal. Lembre-se que a ineficiência de uma das partes da sua vida financeira anula a eficiência de outra. Não adianta cuidar da área de investimentos e ter muita eficiência em rentabilidade, mas prejudicar os ganhos por conta de impostos e custos desnecessários.

Texto assinado por Daiane Mohr, CFP, planejadora financeira da Warren. O email dela é daiane.mohr@warren.com.br.