Eu sempre fui um fanático por filmes e costumo falar muito deles em minhas aulas e palestras sobre qualquer assunto. Quando comecei a trabalhar com inovação, em 2013, eu comentava sobre o quão difícil era prever o que o futuro nos reserva e usava os filmes Blade Runner e De Volta para o Futuro 2 para corroborar minha narrativa.

Eu explicava que, por mais que fôssemos conhecedores das tendências de certo segmento, prever com algum grau de precisão como ele estará em 20, 30 anos é praticamente impossível.

Veja o filme De Volta para o Futuro 2, onde os protagonistas viajam no tempo de 1985 para 2015. Lembro-me da expectativa de quando era criança que ao chegar em 2015, quatro anos atrás, teríamos carros voadores, tênis com cadarços automáticos, comida que pode ser reidratada e tantas outras coisas que o filme apresentava.

Mas, em compensação, segundo o filme, haveria ainda fax em 2015. Meus alunos universitários, que nasceram já nos anos 2000, nem fazem ideia do que seja um fax.

Quando penso na educação, o que poderíamos dizer sobre seu futuro? Como será a universidade, se é que ela ainda existirá da forma como a conhecemos, em 2030, 2040? Inovar é seguir firme em algumas apostas. E em que apostamos para o futuro da educação?

Na Ânima Educação, apostamos em currículos mais flexíveis, ensino híbrido, novos espaços de aprendizagem físicos e virtuais, em programas de startups e, muito fortemente, em uma educação voltada ao aluno encontrar seu propósito, ou projeto de vida, e desenvolver algumas habilidades socioemocionais.

Estas habilidades são conhecidas também como soft skills e estão muito difundidas na atualidade, bem diferente de 2013, 2014, quando começamos.

Mas, de fato, o que são essas soft skills? São um conjunto de competências (saberes), que se convertem em habilidades (coisas que sabemos fazer), e que estão além dos conhecimentos técnicos ou cognitivos que nós costumeiramente valorizamos na universidade.

Dentre as que trabalhamos com nossos estudantes, através de uma disciplina chamada LAI, temos: colaboração, pensamento crítico, criatividade, resolução de problemas, comunicação. Não que estas sejam as únicas, mas foram nossas primeiras apostas.

Nós entendemos que o mundo está mudando, e muito rápido, e que, para além disso, conteúdos estão nas mãos das pessoas, literalmente, de modo que não faz sentido que nossos alunos não sejam capacitados em competências e habilidades como essas.

Imaginem quantos empregos e áreas deixarão de existir com automações, robôs e inteligências artificiais, de modo que temos que formar pessoas mais flexíveis e com estas habilidades mais do que dominadoras do conteúdo A ou B.

O assunto se tornou tão importante não somente para escolas ou universidades, mas também para empresas. Eu sempre pergunto: depois dessas, quais skills devemos desenvolver?

Rafael Ávila - Diretor de Inovação da Ânima Educação, da qual a UniSociesc faz parte. Graduado em Relação Internacionais (PUC Minas), é Doutor em Ciência da Informação (UFMG) e Mestre em Engenharia de Produção/Estudos Estratégicos (UFRJ). Professor universitário desde 2004, atualmente, seu foco de pesquisa tem sido inovação, startups e educação inovadora.