Aprendizagem pode ser entendida como uma modificação relativamente duradoura do comportamento por meio de treino, experiência e observação. Aprender, entretanto, não é fácil, mas passa, sobretudo, pela capacidade de relacionar aquilo que foi estudado com fatos da vida de quem aprende.

Dessa relação, aparecem, mesmo que inconscientemente, habilidades e competências que preparam o aprendiz para futuras situações onde ele possa aplicar o que aprendeu.

O ensino, portanto, deve estimular essa capacidade de relacionar, oferecendo ao aluno ferramentas para que o mesmo seja capaz de tomar consciência, e conta, do seu aprendizado e criar seu conhecimento, interagindo e correlacionando-o com o contexto em que vive.

Seguindo o nosso principal propósito, que é “transformar o país pela educação”, de maneira inédita em nível nacional, o Grupo Ânima devotou um edital do Prêmio Padre Magela, que incentiva a pesquisa em diversas áreas do conhecimento, a projetos com um objetivo único: melhorar as práticas de ensino em sala de aula.

O grupo de pesquisa coliderado por mim, do Laboratório de Neurociências Aplicadas - LANCe, que conta com dois professores e oito alunos de Iniciação Científica, teve seu projeto premiado, e hoje, é um dos seis grupos de pesquisa nacionais dedicados a investigar formas de facilitar o aprendizado de Fisiologia Humana.

No nosso estudo, realizado com 118 alunos dos cursos de Odontologia, Farmácia, Nutrição e Biomedicina, encontramos resultados animadores sobre uma nova metodologia de ensino.

Essa metodologia, conhecida como Aprendizagem Baseada em Animação (ABL), promove o aprendizado de forma ativa, centrado no aluno, que planeja e desenvolve uma animação sobre o tema central trabalhado em cada aula.

Resultados preliminares mostram que os alunos, quando submetidos ao método ativo, participam mais, sentem-se mais atraídos pelo assunto, demonstram mais engajamento com a aula e relatam maior compreensão do conteúdo. Além disso, o aluno passa menos horas estudando e tira notas mais altas.

O que é valioso, uma vez que nosso perfil de aluno é aquele que trabalha o dia inteiro e não tem muito tempo para estudar. Educação que transforma, é aquela que desafia! Nas nossas salas de aula, esta transformação já começou!

Agradeço a Prof. Fernanda Possamai, colider do LANCe, que editou a primeira versão deste texto e ficou à frente de três das quatro turmas mencionadas no texto e, aos alunos de graduação que estão participando ativamente do projeto.

Prof. Dr. Tiago Souza dos Santos – Graduado em Fisioterapia pela FURB, 2006. Mestre (2010) e Doutor (2014) em Neurociências pela UFSC. Fez doutorado sanduíche no Instituto de Biopsicologia da Ruhr Universität, Bochum, Alemanha, em 2013 e Pós-doutorado no Instituto de Investigações Biomédicas de Barcelona, entre 2015 e 2016. Atualmente, é professor da UniSociesc e coordenador de projetos de pesquisa do programa estadual de bolsas de estudo, pesquisa e extensão, UNIEDU. Além disso, é maratonista amador e fabrica suas próprias câmeras fotográficas, em latas de sardinha!