♫ “Eu nasci/ Há dez mil anos atrás/
E não tem nada nesse mundo/
Que eu não saiba demais”
(Eu nasci há dez mil anos atrás, Raul Seixas).

É muito comum as pessoas se perguntarem o que fariam se o mundo acabasse amanhã. Em tempos como esses pandêmicos, esta pergunta se mostra ainda mais pertinente e constante nos corações e mentes das pessoas.

Mas, e se fosse o (quase) inverso? E se você pudesse viver para sempre, o que você faria? O que faria amanhã, o que faria daqui a cem anos, ou daqui a mil anos?

O que o homem quer?

O homem – leia-se humanidade – desde sempre busca paz, felicidade e saúde. Ao falar de saúde, invariavelmente enfrenta-se a questão da longevidade. E é indiscutível que, quanto mais avança a tecnologia, mais saúde o homem terá, pois os mecanismos para preservá-la serão cada vez mais efetivos. E quanto mais saúde tiver, mais tempo viverá.

E viverá cada vez melhor. Não tenho dúvidas que hoje a vida, para as pessoas médias, é melhor do que há cem anos, muito melhor do que a há 500 anos e indescritivelmente melhor do que há mil anos. Hoje, para o homem médio, há banheiros nas casas, diversidade de comida no supermercado, remédios mais eficazes, automóveis e internet. Não dá para comparar.

Há, porém, o outro lado: o aumento do abismo entre pobres e ricos.

A vida eterna.

O professor Yuval Noah Harari, em seus livros e palestras, fala tanto desta busca do homem pela imortalidade quanto da diferença social que poderá vir por tabela.

Um seriado que caminha nesta linha de raciocínio, dentre tantos livros e filmes de ficção, é Altered Carbon (ou Carbono Alterado, da Netflix). Num futuro distópico, as pessoas têm suas vidas armazenadas numa espécie de dispositivo de memória.

Se morrer e o dispositivo não for danificado, a pessoa pode utilizar outro corpo. Ou seja, apenas o corpo (ou capa, como eles chamam) morre. A pessoa continua vivendo.

Os pobres não podem escolher suas capas substitutivas, os ricos podem, e os muito ricos têm um backup de suas vidas numa espécie de arquivo na nuvem. É ficção, mas me parece possível. Não para nós que estamos lendo este texto, mas para alguns de nossos herdeiros nem tão longínquos.

E é uma interessante analogia (ou não) das diferenças que aguardam a humanidade.

A tecnologia.

A medicina avança rapidamente neste sentido com a ajuda de algoritmos, inteligência artificial e pesquisas, muitas pesquisas. Hoje já há tratamentos ou terapias que igualam a idade celular à idade cronológica e deixam mais novos do que a idade cronológica os pacientes/clientes interessados.

A geração que está nascendo vai ultrapassar com saúde e muito tranquilamente os cem anos. Muitos dos que estão lendo este texto também vão chegar ao centenário bem melhor do que se esperava quando nasceram.

A tecnologia dará à humanidade a possibilidade da juventude e da vida quase eterna. E a responsabilidade de descobrir o que fazer com elas...