“♫ Paranoia high-tech é síndrome/ Contagioso, manipulador/ Antiga batalha: o homem e seu pavor/ Nocivo se paralisa” (Medo, Pitty).

O mês da campanha de prevenção ao suicídio, organizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP em parceria com o Conselho Federal de Medicina – CFM, é o próximo. Resolvi antecipar a discussão. Já falei sobre a relação entre internet, redes sociais e suicídios aqui na coluna, em lives e palestras. Precisamos urgentemente e com seriedade conversar sobre esse tema!

O que desencadeou essa necessidade de falar novamente foi a morte do filho da cantora Walkyria Santos, de 16 anos, após ter sido vítima de ódio e LGBTfobia nas redes sociais.

As redes sociais

Já há algum tempo são publicados artigos e estudos no Brasil, na Europa e nos EUA apontando uma crescente relação entre as redes sociais e o suicídio de jovens e adolescentes, a ponto de entenderem que o assunto deve ser discutido sob a perspectiva da saúde pública, o que já acontece em alguns países. Não dá, por óbvio, para esgotar assunto tão complexo e profundo em uma coluna de jornal. Meu objetivo é alertar para a necessidade do debate. Esse problema não é dos outros, é nosso, é de toda a sociedade!

A exposição demasiada, como comentei no texto da semana passada, deve ser objeto de atenção de pais, professores e escolas. Ela, de certa forma, contribui para o problema.

Alerta aos haters!

Haters são, se se pode traduzir de alguma forma, os odiadores, aquelas pessoas que só veem negatividade, esbaldam-se em comentários de ódio, atacam exclusivamente as pessoas e nunca debatem as ideias. Os haters, assim como os imbecis (falei deles outro dia), estão se multiplicando com uma velocidade assustadora na internet. Outro dia vi uma simbiose dessas duas figuras fazendo um comentário jocoso de defesa ao seu político de estimação numa publicação de acidente fatal de trânsito. Coerência zero, empatia zero, semancol zero.

E são esses odiadores, especialmente os que acham que seu jeito de ser ou suas convicções sobre tudo são as únicas verdades toleráveis, que atacam crianças, adolescentes e jovens na internet. Os intolerantes, por meio das redes sociais, têm aumentado comportamentos abusivos como assédio virtual, cyberbullying, cyberstalking e ameaças, que, em alguns casos, culminam com o suicídio da vítima, como no caso que citei.

Depressão

Tem-se constatado, também, desde 2009, o aumento dos índices de depressão em adolescentes e jovens, com crescimento que varia entre 46% e 100%, dependendo da faixa etária. Os smartphones surgiram em 2007 e os aplicativos de redes sociais para estes aparelhos na sequência, e há quem veja relação entre estes números. Faz sentido. O mundo das redes sociais é, em regra, muito mais fácil, belo e feliz que a vida real.

Sinais nem sempre são visíveis, especialmente com o cotidiano atribulado dos pais. Por isso, conversas francas ainda são o melhor caminho. E união entre pais, escolas e sociedade se torna essencial!