We don't need no thought control/ No dark sarcasm in the classroom// All in all, it's just another brick in the wall/ All in all, you're just another brick in the wall” (Another brick in the wall (parte II), Pink Floyd).

Há 30 anos, em 9 de novembro de 1989, a queda de um muro representou mudanças de diversos matizes e alterou os panoramas econômico e político mundiais. Ficou evidente que o comunismo - do jeito que foi praticado - nunca funcionou e possivelmente, pela natureza humana, nunca funcionará. Ditaduras não funcionam, sejam militares, sejam do proletariado.

Quando o muro de Berlim caiu, as pessoas fugiram do lado oriental para o ocidental em busca de liberdade e de melhores condições de vida. Não é necessário falar muito mais. Caiu o muro e caíram muitas máscaras.

A pergunta que trouxe o muro para cá é: se em 1989 houvesse a tecnologia que existe hoje o muro cairia antes ou nunca cairia?

Redes sociais em 1989.

Se tivéssemos internet (como é hoje), redes sociais e aplicativos de comunicação em 1989 o muro cairia antes porque as pessoas se juntariam espontaneamente, comunicando-se fácil e rapidamente, viralizando os movimentos?

Ou nunca cairia porque um governo ditador e absoluto conseguiria controlar remotamente todas as manifestações por meio de algoritmos que identificariam os formadores de opinião "perigosos" e os próprios movimentos, bem ao estilo Big Brother, do George Orwell?

Haveria muros?

Discutindo com alguns amigos, veio a pergunta: haveria muros se existisse esta tecnologia democratizante que é a internet em 1989, já que as manifestações poderiam verter de todos os lugares?

A questão é que, mesmo com a tecnologia atual e, pior, mesmo com os exemplos do passado, ainda há muros hoje! Tem o muro dos EUA, tem o de Israel, e há inúmeros outros menos conhecidos separando as gentes.

Muros invisíveis.

E ainda há os muros invisíveis. Aqueles que não vemos, mas sabemos que estão ali, separando as pessoas por sua cor, sua religião, sua orientação sexual, sua condição financeira ou intelectual.

Os muros invisíveis são tão cruéis quanto os muros de milhões de dólares e centenas de quilômetros. A morte, nestes muros, também parece invisível, mas existe, é mais lenta e mais dolorida.

E a resposta?

A humanidade tem uma ferramenta fabulosa nas mãos e parte considerável dela não está sabendo utilizá-la adequadamente. Ainda passamos por governos e governados corruptos, não obstante a melhora decorrente da transparência que a internet proporciona.

Contudo, vê-se muito, ainda, em todos os cantos do planeta, imbecis preferindo atacar as pessoas a discutir soluções e ideias. Por isso, ainda não sei a resposta para a pergunta do título.