"A esperança não vem do mar/ Nem das antenas de TV/
A arte de viver da fé/ Só não se sabe fé em quê/
A arte de viver da fé/ Só não se sabe fé em quê”
(Alagados, Os Paralamas do Sucesso).

Nesse mundo de disrupção e transformação digital, vez ou outra depara-se com situações bizarras na internet ou com velhas práticas em novas roupagens. Às vezes as duas coisas juntas: práticas com novas roupagens que ficam bizarras.

Santinhos.

Quase todo mundo conhece os santinhos, aqueles cartões com imagens religiosas, normalmente santos (daí o nome). Tem-se notícia dos primeiros santinhos já no século XV. Hoje em dia não os tenho mais visto circulando por aí.

Uma das funções dos santinhos é – ou era – o pagamento de promessas. Lembro, da época de criança, de santinhos com uma cartinha manuscrita na caixa de correio de casa (quando o pagador de promessas tinha um pouco mais de condições xerocopiava as cartas). A carta explicava a promessa e a graça alcançada.

Os tempos mudaram. Pouco tempo atrás esbarrei com um site de santinhos online. Funcionava mais ou menos assim: o cidadão que fez a promessa e quisesse distribuir os santinhos terceirizava a entrega pelo site, que mandaria um e-mail com a imagem (santinho) e a mensagem para os destinatários previamente escolhidos. Receberia por santinho remetido.

E nem tão santos...

De início quero deixar claro que não estou fazendo nenhum juízo de valor. Cada um sabe da sua vida e enquanto os atos forem de livre vontade e terceiros não forem atingidos, a intimidade das pessoas deve ser respeitada.

Dito isso, sigo. Com a internet profissionalizou-se uma nova espécie de amizade colorida. Modernamente utiliza-se termos em inglês para essas relações: sugar dating, sugar baby e sugar daddy.

Sugar dating é o relacionamento amoroso, sugar baby é a bela jovem, articulada, que gosta de viagens e de apreciar as boas coisas da vida e os presentes oferecidos pelo sugar daddy, o cara mais velho e resolvido financeiramente.

Também pode acontecer com homens jovens e mulheres mais velhas igualmente resolvidas financeiramente.

Não se trata de prostituição, mas de uma nova forma de relacionamento com “expectativas alinhadas em acordos pré-estabelecidos, de forma direta e clara”, como diz um dos sites que conecta essas “mulheres lindas com homens ricos”.

São as mudanças das relações facilitadas pela tecnologia.

Conclusões.

Não sei se os santos de verdade aprovam os santinhos digitais ou se as amizades coloridas perderam um pouco da sua graça quase ingênua. Mas parece que cada vez mais a esperança e a fé hoje vêm das ondas da internet.