♫ "Bebida é água/ Comida é pasto/
Você tem sede de quê?/ Você tem fome de quê?/
A gente não quer só comida/
A gente quer comida, diversão e arte/
A gente não quer só comida/
A gente quer saída para qualquer parte” (Comida, Titãs).

Sou fã da tecnologia. Com ela muita coisa ficou mais fácil: falar com parentes e reencontrar amigos; comprar sem sair de casa; abrir mão de carro próprio; conhecer meios mais modernos de curas e tratamentos; fugir de filas, e por aí vai.

E uma das mais importantes: a democratização do acesso às informações.

Este, porém, é, paradoxalmente, um dos maiores problemas atuais da humanidade: estamos morrendo por inanição intelectual. A sociedade como um todo está.

Muita informação e pouco conhecimento.

A internet transforma ignorantes em doutores da noite para o dia. Não é incomum aparecerem nos escritórios de advocacia clientes com estratégias jurídicas prontas; nos consultórios, pacientes com o diagnóstico óbvio; e nos escritórios de arquitetura, com projetos perfeitos... Os cinco, dez, vinte anos de estudos e experiência dos profissionais parecem nada valer.

O acesso a tantas informações é uma dádiva. A forma como as pessoas estão lidando com elas é uma tragédia. Poucos têm conseguido transformar as informações da internet em conhecimento. Até porque isso dá trabalho e toma tempo.

E há a tal geração mimimi 140 caracteres: não leem quase nada, (acham que) sabem quase tudo e se mimimizam quando são contrariados, passando a ofender pessoalmente o interlocutor.

Milhões de enciclopédias na palma da mão.

Meus pais sempre prezaram pela educação dos filhos. Havia enciclopédias lá em casa. Estudávamos com base nelas. Líamos, escrevíamos, decorávamos quando era preciso. De repente, o milagre: tudo foi para a palma da mão.

E isto vai matar a humanidade se nada mudar.

Impérios terminam.

Arnold Toynbee, historiador inglês, baseado na história de 26 civilizações, dizia que há quatro etapas no seu ciclo: gênese, crescimento, estagnação e declínio. As civilizações acabam quando para a produção cultural e a população perde a flexibilidade, ou seja, entre outras coisas, os movimentos de discórdia crescem.

O elo e o fim.

A facilidade de acesso às informações criou preguiçosos. Antes se estudava para saber, e, estudando, discutia-se civilizadamente. Hoje, com a tecnologia, todas as respostas estão no google e lê-se tudo de forma rasa. Esta falta de profundidade está estagnando a cultura, definhando a inteligência, produzindo intolerantes (já que sabem tudo de tudo) e levando ao primeiro passo para o fim.

Vamos desaparecer, como civilização, por pura inanição intelectual.