“♫ Sim, eu resolvi mudar/ Aprendi a respirar/ Olhar com outros olhos e reconsiderar Que além de envelhecer/ Difícil é aprender” (O homem cordial morreu, Ira!).

A tecnologia vem para nos ajudar. Pelo menos essa é a intenção de quem a desenvolve. A tecnologia veio para nos dar mais tempo livre. Pelo menos era isso que sonhavam os inovadores ao longo dos séculos. Hoje, porém, temos tanta tecnologia às mãos que parece que ela está nos consumindo e o tempo sumiu.

Essa realidade se torna ainda mais clara – e desconheço quem pense diferente – quando nos referimos a internet e smartphones ou aparelhos celulares. Estes dispositivos estão conosco quase 24 horas por dia – quando não 24 horas por dia – sete dias por semana. Os aparelhos e a internet 3G, 4G ou wi-fi, e, daqui a pouco, a 5G.

Desapegar está cada vez mais difícil, e essa dependência pode ser tanto social quanto profissional. Antes de dormir, aquela verificadinha nas mensagens, redes sociais, notícias. Assim que acorda, aquela olhadela nas mensagens, redes sociais, notícias. Talvez um joguinho ou uma confirmada na agenda nesse entremeio. Se rolar uma insônia de madrugada, mais celular.

Detox digital

Nos divãs dos psicólogos estão cada vez mais presentes os dependentes da tecnologia. Síndrome do toque fantasma e nomofobia, como já comentei em outro texto, estão assustadoramente mais frequentes. O primeiro se refere à impressão de que o telefone está tocando ou vibrando (muitas vezes sem sequer estar perto da pessoa), e o segundo ao medo de ficar sem o aparelho celular ou sem conseguir usá-lo.

Se você está passando por uma dessas situações, está na hora de repensar alguns atos. Uma medida um pouco mais radical – tanto quanto difícil – é o detox digital: ficar sem acesso às redes sociais, aos aplicativos de comunicação, aos jogos online e tudo o que possa estar ligado à internet. Obviamente que, dependendo da atividade do intoxicado, o detox não pode ser completo por conta do trabalho. Os finais de semana, porém, em regra, permitem essa imersão no nada digital.

Minimalismo digital

Depois de um período de desintoxicação é possível a retomada gradativa e limitada à vida digital. Ainda com um pouco de esforço, o uso comedido da tecnologia e da internet pode contribuir para uma vida mais saudável, física e mental.

Viver com menos, em todos os aspectos, já é pregado há muito tempo como um estilo que contribui para a sociedade e para o planeta. Viver o minimalismo digital é saber discernir o que é necessário do que é lixo ou inútil no consumo de internet, diminuindo o tempo gasto nos meios digitais e aproveitando melhor o menor tempo em frente às telas.

Como pessoas são diferentes, não existe uma regra básica que se aplique com sucesso para todos. Criar métodos pessoais para a redução do uso de tecnologia e de internet, ou para seu uso de maneira mais produtiva, normalmente é mais adequado. Entretanto, para alguns será extremamente difícil e buscar ajuda pode significar um nível de amadurecimento mais importante do que continuar escondido atrás das telas.