“♫ Should I stay or should I go now?/ Should I stay or should I go now?/ If I go there will be trouble/ An' if I stay it will be double/ So come on and let me know (Should I stay or should, The Clash).

Quando se fala de ciência, tecnologia, espaço e tempo, esbarra-se em termos como “teoria da relatividade”, “teoria das cordas”, “dobra espacial”, “túnel da minhoca”, “mundo invertido”, “realidade paralela”, e por aí vai.

Ciência real e ficção científica se misturam em filmes e séries mundo afora. Não tem como não ficar pensando em alguma delas quando se assiste a séries como Black Mirror, Stranger Things ou Dark, da Netflix, ou Electric Dreams ou Upload, da Amazon. Talvez, porém, a trilogia cinematográfica Matrix tenha sido a que mais impactou o imaginário das pessoas com seu mundo dentro do mundo – ou qualquer outra interpretação que se queira dar.

Metaverso

E agora o termo em evidência é Metaverso, mais uma jogada de gênio ou de marketing – há controvérsias – de Mark Zuckenberg, Em resumo, pode-se dizer que metaverso é uma espécie de mundo virtual reproduzido por dispositivos digitais. Um espaço virtual coletivo que envolve realidades virtual e aumentada e, obviamente, internet.

O termo não é novo e nem uma ideia original do criador do Facebook. Ele foi cunhado na obra disruptiva Nevasca, de Neal Stephenson, e se referia a uma espécie de espaço paralelo para a elite de um futuro incerto. Diversos jogos já utilizam esta ideia há algum tempo, como Second Life e Fortnite, por exemplo.

Outro patamar

Não, não chega a ser o Flamengo de 2019, mas a intenção de Zuckenberg é levar o metaverso a outro patamar. Ele já começou com a recente alteração do nome da sua empresa para Meta Platforms, ou simplesmente Meta.

De 1992 (ano de lançamento do livro Nevasca) para 2021 a tecnologia evoluiu insanamente. Agora há muita tecnologia acessível para criar este universo paralelo, ou metaverso. Além da tecnologia, e mais importante, hoje existe uma montanha de dados e metadados vagando na internet, especialmente nas plataformas de redes sociais, nunca antes existente. E, bem ou mal, cedidos de graça por nós, usuários, consciente ou inconscientemente.

Nesse mundo virtual paralelo imaginado pelo CEO do Facebook, digo, da Meta, as pessoas poderão entrar, criar uma gama infinita de comunidades, e, ainda segundo ele, além de jogar e se divertir, até trabalhar. Não se enganem, é muito mais do que um simples home-office. E comprar, claro. Consumir é (o mais) importante!

Tudo isso dependerá de equipamentos específicos, como fones de ouvido especiais e óculos de realidade virtual. Com o crescimento do metaverso, como qualquer tecnologia, tais gadgets terão seus custos barateados e, consequentemente, mais pessoas terão condições de adquirir (ou alugar). Quem lembra do primeiro telefone celular, um tijolão inacessível a 99,999% da população? E quem não tem um smartphone – infinitamente mais tecnológico que aquele tijolão – hoje?

O metaverso dará certo? Depende do ponto de vista. Mas acredito que não teremos como escolher se ficaremos ou não, como na letra da música do início do texto, do Clash, nele.