Foto divulgação | Freepik
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Help me if you can I'm feeling down/ And I do appreciate you being 'round/ Help me get my feet back on the ground/ Won't you please, please, help me? (Help, The Beatles).

A campanha Setembro Amarelo® é organizada, desde 2014, pela Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP em parceria com o Conselho Federal de Medicina – CFM. O dia 10 é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Segundo a página oficial do Setembro Amarelo®, são registrados cerca de 12 mil suicídios todos os anos no Brasil e mais de 1 milhão no mundo, atingindo, nos últimos anos, principalmente os jovens. Ainda segundo site, quase 97% dos casos estão ligados à depressão, ao transtorno bipolar e ao abuso de substâncias.

Estudos no mundo apontam, também, que, direta ou indiretamente, a internet pode estar contribuindo com esta triste estatística.

As redes sociais.

Artigos e estudos no Brasil, na Europa e nos EUA vêm, nos últimos anos, apontando uma crescente relação entre as redes sociais e o suicídio de jovens e adolescentes, a ponto de entenderem que o assunto deve ser discutido sob a perspectiva da saúde pública.

O tema é complexo e profundo e, obviamente, não vou conseguir (e nem tenho esta pretensão) retratá-lo fiel e completamente neste espaço. A intenção é o alerta para pais e professores, especialmente nestes tempos pandêmicos.

Evidências.

Não se pode afirmar com certeza que há relação entre internet e redes sociais e o aumento de suicídios entre jovens. O que existe são evidências.

Nos EUA, pesquisadores têm descoberto um aumento de sites que falam de suicídio, não de forma preventiva, mas por termos associados como, por exemplo, métodos de suicídio, como se matar e os melhores métodos de suicídio.

Por outro lado, as redes sociais têm contribuído com comportamentos abusivos como assédio virtual, cyberbullying, cyberstalking e ameaças, que, em alguns casos, culminam com o suicídio da vítima.

Ressalte-se que os estudos mais avançados sobre esta possível relação, por ora, são referentes às tentativas de suicídio e não aos suicídios consumados. Por isso friso que, embora as evidências caminhem para esta resposta, por enquanto são apenas evidências.

Depressão.

Outro fator que leva a estas conclusões é o aumento dos índices de depressão em jovens. De 2009 a 2017, estudos norte-americanos demonstram um crescimento de mais de 60% na faixa dos 14 aos 17. Entre 12 e 13 anos, o aumento foi de 47%, de 18 a 21, 46% e de 20 a 21, quase 100%.

Coincidência ou não, os smartphones surgiram em 2007 e os aplicativos de redes sociais para estes aparelhos a partir de então, com um vertiginoso crescimento de usuários.

Alerta.

É óbvio que a internet e as redes sociais não são os únicos fatores que desencadeiam a vontade do suicídio. Na maioria dos casos, como apontam os estudos, já há problemas psicológicos ou psiquiátricos envolvidos.

De todo modo, estes números servem de alerta aos pais. Repito sempre: se os pais se preocupam em saber aonde seus filhos vão no mundo físico, é importante que tenham a consciência que também devem saber por onde passeiam no mundo virtual.

E, acima de tudo, que promovam o diálogo dentro de casa, com os celulares e computadores desligados...