“No meu olhar, na minha voz/ Um
novo mundo, sinta/ É bom sonhar,
sonhemos nós/ Eu e você, mulher de
trinta” (Mulher de trinta, Miltinho).

As balzaquianas ficaram assim conhecidas na pena do escritor francês do século XIX Honoré de Balzac, que retratou, em seu livro “A mulher de trinta anos”, as mulheres na faixa dos trinta anos como mais maduras, plenas e emocionalmente resolvidas do que as jovenzinhas sonhadoras normalmente retratadas nos livros da época.

Pois bem. A internet agora é uma balzaquiana. Quem acessou o Google dia 12 percebeu que o Google Doodle (aquela imagem acima do campo para digitar o termo que se quer pesquisar) era uma homenagem aos 30 anos da www.

Há trinta anos, o físico britânico Tim Berners-Lee apresentou os protocolos de um sistema de  documentos em hipermídia, base para a criação da internet como se conhece hoje, em um laboratório da Organização Europeia de Pesquisas Nucleares (CERN), na Suíça.

Na época, a intenção era compartilhar informações entre universidades. É importante destacar, também, que antes destes protocolos de Tim Berners-Lee, as Forças Armadas dos EUA já desenvolviam um projeto conhecido como ARPANET, com a mesma intenção de comunicação e compartilhamento de informações, só que entre órgãos militares.

A internet revolucionou o mundo. Hoje muita gente não consegue se imaginar sem acesso à grande rede, em especial os jovens e adolescentes que cresceram sem saber o que é não ter internet.

Como temos visto ao longo das semanas, porém, essa facilidade trouxe dúvidas, preocupações e responsabilidades. A internet se tornou um gigantesco quintal virtual, no qual podemos trabalhar, nos divertir e cair em tentações e ciladas.

Assim como em qualquer quintal, vizinhos ou estranhos podem pular a cerca, convidados ou não, ser do bem ou do mal. E a internet tem sido um eterno exercício de reflexão gerando grandes dicotomias na sociedade.

Para ficar em apenas um exemplo: enquanto alguns países criam sistematicamente mecanismos para tolher a liberdade de expressão ou de informação, outros buscam regulamentar a proteção da
privacidade dos cidadãos.

Com tal temperamento, talvez Balzac não acharia a internet tão balzaquiana assim, afinal.