“Eu pensei que tinha escapado, mas não consegui”, disse rindo ontem à coluna o ex-senador Paulo Bauer, que assumiu na noite de segunda-feira o cargo de secretário especial da Casa Civil da Presidência da República para o Senado Federal.

Apesar de perder a reeleição em outubro do ano passado e ver o PSDB de Santa Catarina mergulhar em uma crise de identidade, Paulo Bauer voltou à cena política sendo o terceiro catarinense em 40 anos a ocupar uma sala no Palácio do Planalto.

Primeiro, foi Jorge Bornhausen, um dos integrantes do governo Fernando Collor, depois foi a vez de Ideli Salvatti, na administração de Dilma Rousseff.

“Espero que o Bolsonaro não tenha o mesmo destino que eles”, brincou o tucano entusiasmado com o novo desafio que assumiu através de indicação do ministro Onyz Lorenzoni (DEM).

Paulo Bauer trabalha no quarto andar do Planalto, um acima do presidente Jair Bolsonaro, com quem diz conversar diariamente.

E se há certa desconfiança quanto à capacidade do governo de aprovar a reforma da previdência, o novo secretário, que será o responsável pela articulação do Executivo com os senadores, mostra otimismo.

Nas contas feitas por ele, o governo teria, hoje, ampla maioria entre os 81 senadores, com apenas 19 sendo o que se pode chamar de oposição.

Na Câmara dos Deputados, acrescenta, dos 513 parlamentares, apenas 150 estariam na fileira oposta, saldo formado por partidos de esquerda como PT, PCdoB e PSOL.

Além disso, o novo secretário diz que a agenda de Bolsonaro, amplamente divulgada durante a campanha, facilita a tramitação das reformas como a da previdência, tributária e política.

“O Bolsonaro mostrou o que queria durante a campanha e venceu a eleição. Os deputados e senadores sabem disso e não vão virar as costas para o que a sociedade sinalizou querer”, defende Paulo Bauer.

A reforma da previdência é a principal aposta da equipe econômica, por isso, ontem mesmo o governo deu início a uma ofensiva no Congresso para conseguir fazer com que o texto avance sem grandes interferências ou modificações.

Aproximação natural

A nomeação de Paulo Bauer também marca uma tentativa de aproximação entre o PSL e o PSDB. Alas simpáticas ao governador de São Paulo, João Dória, já veem a aliança como algo que seria natural.

Com uma agenda de reformas para ser votada, o governo precisa aumentar o leque de aliados para conseguir vencer uma barreira chamada Congresso.

Pedido de agenda

Assim que tomou posse no cargo, Paulo Bauer foi parabenizado pelo prefeito de Jaraguá do Sul Antídio Lunelli (MDB), que solicitou uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro.

“Ter alguém nessa posição traz segurança aos prefeitos catarinenses”, disse o tucano à coluna.

No governo

Na presença do presidente Jair Bolsonaro, do ministro da Casa Civil Onyx Lorenzoni, do senador Fernando Bezerra, e do deputado Victor Hugo, o ex-senador Paulo Bauer tomou posse como secretário especial da Casa Civil.

“Começo aqui uma nova etapa na minha vida pública seguindo o lema do presidente: “O Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”, afirmou.

Avaliação do governo e da reforma

Jair Bolsonaro (PSL) é aprovado por 57,5% da população, de acordo com pesquisa CNT/MDA divulgada ontem. O presidente é rejeitado por 28,2% e outros 14,3% responderam que não sabem ou não quiseram responder.

Já a avaliação positiva do governo é de 38,9% e a negativa de 19%. Aqueles que avaliaram o governo como regular são 29%.

A pesquisa também mostrou que a população está dividida quanto à reforma da previdência; 45,6% rejeitam a proposta e 43,4% aprovam a matéria. Outros 11% não sabem ou não quiseram responder.

 

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