A concepção que ora nutrimos de mundo, é herança de uma corrente intelectual e filosófica, denominada iluminismo, brotada lá na Europa do Século 18. Obviamente, o tema é vasto, por isso, tentarei aqui, figurativamente, radicalizar na síntese. Imaginemos o mundo pela perspectiva de uma noite sem lua. Imaginou? Agora, imaginemos pela perspectiva de um dia ensolarado de primavera.

Portanto, uma impactante, reveladora e emancipadora transição das trevas para a luz. Ou, de uma realidade absolutista para a diversidade progressista. Afortunadamente tivemos, outrora, os inquietos das trevas que se rebelaram: de Locke (1632-1704) que não tinha nada de louco, herdamos a liberdade de expressão; de Montesquieu (1689-1755), a ideia de Estado descolado do clero determinista; de Voltaire (1694-1778), as liberdades individuais acima de tudo; de Rousseau (1712-1778), o humanismo e a educação; de Diderot (1713-1784), a Enciclopédia; de Adam Smith (1723-1790), o liberalismo econômico; dentre outros rebeldes ‘com causa’.

Praticamente três séculos de luz se passaram, alumiando uns mais, outros menos. Entre esses, cá estamos nós, brasileiros, em meio a um nevoeiro de dúvidas. Um povo de pouca memória, com um nível de educação que ainda custará boa escalada para atingir o meio da montanha. Juntamos o poder de influência da mídia e uma heurística ‘copo meio vazio’, e temos como produto disso tudo, um ‘povo de luz baixa’. Uma pecha que, particularmente, me incomoda. Não comungo, ademais, com o senso comum de estarmos vivendo um declínio. O iluminismo, do qual carecemos, seria inverter esse conceito depreciativo de Nação.

Já, em âmbito global, penso que o novo iluminismo em curso, não mais deriva das trevas, mas da própria luz. Portanto, uma transição da luz para a super luz. A potencialização exponencial da inteligência artificial nos transformará radicalmente. No entanto, só será iluminismo se tal transformação nos tornar mais humanos. Sou um otimista inquieto!