Não me canso de escrever sobre a nobre causa da doação de sangue. Na quinta-feira (9), diante das lentes atentas de Sérgio Peron, da OCPlayTV, o “time sanguíneo” Raquel Ribas (Hemosc Jaraguá), Luciana Dupont (Jaraguá Mais Saudável), Emerson Gonçalves (Jaraguá Mais Saudável e Comunicador) e Nelson Pereira (Conselheiro OCP), estiveram mobilizados - cada um com suas experiências e relevantes contribuições - para transmitir à comunidade, mensagens e informações relevantes sobre a doação de sangue, notadamente, com o propósito de desconstruir mitos e tabus.

Faço esse registro na condição de regular doador por vários anos, com uma média de 3 doações ao ano, e preocupado com o nível baixo de nosso banco de sangue. De acordo com meus cálculos e registros, até os 69 anos, pretendo doar mais 7 litros. Então, fecharei a torneira desse fluido vital, tendo doado um volume total de aproximadamente 20 litros. Considerando que as bolsas de coleta são padronizadas para 400 a 450 ml, e que cada doação pode salvar até 4 vidas, segundo hematologistas, chego à seguinte equação conclusiva: 20 L = 20.000 ml : 400/450 ml = 45/50 bolsas x 4 vidas = 180 a 200 vidas salvas.

Me sinto orgulhoso por isso e sonho para que isso viralize. Além de meus textos no OCP, tenho publicado minhas doações em meus canais online. Naturalmente, alguns fariseus moralistas - certamente os que não doam por medo - têm questionado minha exposição citando o Evangelho de Mateus (Mt 6, 1-6.16-18), “quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita, de modo que, a tua esmola fique oculta.” Pois bem, declaro, confortavelmente, que para essa nossa causa, não se aplica o referido capítulo do livro sagrado. A carolagem que nos perdoem, mas, a ação de doar sangue não pode ficar oculta.

Sejamos coerentes. Se mesmo com divulgação, os níveis de nosso Hemosc local se mostram preocupantemente baixos, imaginem o que seria sem a benéfica ‘trombetagem!’ Dados históricos apontam que a escassez desse poderoso e complexo fluido, se acentua em épocas de inverno e finais de ano. Ocorre que, atualmente, nossos níveis têm se mantido baixos em todos os meses do ano. Tenho insistido também que, a doação de sangue em nosso país, é praticada por apenas 1,8% a 2,0% da população, de acordo com estatísticas oficiais. Índice pífio se considerarmos que a OMS – Organização Mundial da Saúde recomenda que 3,5% a 5% dos habitantes de um país doe sangue.

Vale enaltecer os que gostariam de doar, mas não podem por questões de saúde. Por outro lado, há um número significativo de potenciais doadores que não fazem por conta de desinformação, mitos, crendices e preconceitos. Deduzo então, que o déficit do banco de sangue, é reflexo do déficit de educação, respeito à vida e senso de cidadania. O ato de doar, para ser legítimo, deverá estar imbuído de caráter altruísta, ético, voluntário, solidário e cívico. Em essência, são esses os vitais elementos que deverão compor o sangue de um doador que tem ‘sangue nas veias’ e comprometido com a vida. Tmj “time sanguíneo.”