Na condição de veículo de comunicação mais antigo em circulação do nosso estado, O Correio do Povo jamais se furtará da função de porta-voz sobre as demandas que impactam o desenvolvimento de nossa comunidade regional. Dentre tantas causas já defendidas, sejam elas sociais, culturais, políticas ou econômicas, nossos esforços de cobrança e mobilização social, concentram-se, agora, sobre a letárgica recuperação da rodovia SC-108.

Há um mês, publicávamos, nesse espaço, um editorial intitulado, “SC-108: coma de 1 ano com efeitos colaterais e sequelas”. Acreditávamos na reversão do coma. Sugeríamos que o processo de recuperação daquela rodovia poderia ser, figurativamente, comparado a uma paciente que, tragicamente, teria entrado em coma profundo. Estava prestes a despertar do distenso coma, mas apresentaria efeitos colaterais e, além do mais, haveriam sequelas. Na ocasião, um esperançoso estímulo foi aplicado à paciente. A mobilização de entidades organizadas e população, ocorrida no local, mostrou sinais de que o coma seria revertido. Alarme falso.

Entramos no segundo ano de coma, e o tratamento letárgico e ineficiente continua nos impondo sérios danos. Nossas vias adjacentes, por conta dos desvios, seguem sofrendo desgastes, necessitando de investimentos para os devidos reparos. As perdas de caráter econômico e social da região, jamais serão recuperadas.

Repetiremos quantas vezes for necessário que, figurativamente, o ‘hospital’ em que se trata essa paciente, chama-se ‘estado’. Logo, um hospital emperrado pela burocracia, moroso, ineficiente e negligente. O ‘boletim’ continua nos apontando que o histórico dessa paciente, é um retrato fiel do senso de urgência que o estado dedica a quem produz e arrecada para esse mesmo estado. Um lamentável paradoxo. Voltaremos ao tema.