O título do meu artigo de hoje é emprestado da bela campanha da AMA - Associação de Amigos do Autista. Nesta quarta-feira (16), esta abnegada entidade beneficente completou 29 anos de incansável caminhada em prol da causa autista. Sempre cabe ressaltar que, no Brasil, os portadores do TEA - Transtorno do Espectro Autista, já ultrapassa 2 milhões. Todo ano recorro a este espaço para escrever sobre a AMA e enaltecer seu nobre trabalho.

O privilégio de compor o time da voluntária diretoria da entidade, tem me proporcionado significativas experiências e aprendizados para a vida. Minha vivência de cerca de seis anos com este ambiente, me ensinaram logo de início que, ‘ser servido sem servir, é apenas existir’. Nas caminhadas seguintes, fui adentrando com mais atenção o mundo autista, a ponto de perceber que a deficiência, na realidade, reside no normal. Eu via o mundo autista com olhar comum, ou seja, via, mas não enxergava.

Me convenci de que o anormal é o que vê, mas não enxerga. O autista enxerga sem ver. Fundamento essa percepção da seguinte forma: ‘anormalmente’ se vê o autismo como sentença de exclusão social, mas não se enxerga que autismo é apenas perceber as coisas e a vida diferentemente da maioria das pessoas. ‘Anormalmente’ se vê como um distúrbio que enclausura o portador em seu próprio mundo, mas, não se enxerga que é apenas um caminho diferente de interação humana percebendo o mundo de forma pura.

'Anormalmente’ se vê como retardo mental, mas, não se enxerga que mentes brilhantes pensam fora do padrão comum, cabendo aos que não enxergam o desafio de entendê-las. ‘Anormalmente’ se vê que autismo remete ao silêncio, mas, não se enxerga quão pacífico e envolvente é o mundo do silêncio. Por fim, ‘anormalmente’ se vê esta luta restrita a uma entidade, mas, não se enxerga que é uma missão comunitária, pertencente a todos. Portanto, anormal é quem vê muito e enxerga pouco. Se você leu este texto, é porque enxerga mais do que vê. Então visite o site www.amajaragua.com.br e deixe a marca de seu coração azul para o pedágio solidário.