Até onde quer que tenhamos registros ou evidências sobre o perfil inquieto de nossa espécie, o ímpeto separatista nos acompanha conflitando com nossa natureza gregária. Se analisarmos pela ótica criacionista, veremos que lá nos primórdios Adão e Eva foram separados do Éden. E se for pela ótica evolucionista, constataremos que uma linhagem de primatas, naturalmente selecionada, se separou da copa das árvores. Portanto, seja motivado pela fé ou pela razão, o homem sempre buscou o separatismo.

Embora sejamos, por essência, destinados a viver em sociedade, nutrimos instintos de vaidade e egoísmo como herança. Queremos destaque e pertencer ao melhor grupo. Até aqui nos parece concebível, uma vez que tais instintos, em dimensões razoáveis, acabam instigando o desenvolvimento coletivo. No entanto, quando estes ultrapassam a fronteira do racional, teremos, por conseguinte, alguma ruptura da unidade social enquanto Nação.

Então, quando nos reportamos a manifestações dessa natureza, precisamos, de antemão, entender que é da consciência excessiva de “dogmas” que nascem o extremismo, o fundamentalismo e outros ‘ismos’; como é da consciência acentuada de “classe” que nascem o nazismo, o fascismo, o comunismo, o socialismo, o capitalismo’; assim, também é da consciência exacerbada de “região” que nascem o bairrismo, o xenofobismo e o separatismo.

No Brasil, em particular, não há unidade federativa ou região que não tenha um movimento separatista, sendo o Sul o mais expressivo. Praticamente todos orientados pela consciência descomedida de “região”, ou seja, a criação de um novo país. Utopicamente, teríamos um Brasil fragmentado em vários países.

Basta um elementar entendimento de Constituição e formação do estado brasileiro para se concluir que tais manifestações até podem apresentar certa eficiência em suas ações, mas não alcançariam eficácia.

Particularmente sustento uma visão tridimensional para esta questão:

i) ‘antropologicamente’ tal ideologia tem seu fundamento;

ii) ‘democraticamente’ tem assegurada sua manifestação;

iii) ‘constitucionalmente’ não se sustenta.

É um desgaste inútil, beirando frenesi, insistir na fragmentação de forças. Dada a dimensão territorial de nosso país, o que necessitamos é de unidade social e concentração de energias canalizadas para reforma do estado e não para cisão.

O momento exige que reneguemos o pseudo, clientelista e centralizador modelo federalista e reivindiquemos um “federalismo pleno”, aquele onde os estados federados passariam a ter digna autonomia legislativa, tributária, administrativa e judiciária, aos moldes de países como Estados Unidos, Austrália, Canadá, Alemanha e Suíça. Nações estas inspiradas nas ideias de Montesquieu, o qual sugere que o estado ideal deveria adotar a descentralização de poderes. Que tal o poder da Nação brasileira focar nesse pacto?

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