Sou um aficionado por café, mas, sobretudo, pelos ambientes e circunstâncias a ele associados. É meu fórum predileto para oxigenação da mente e aprendizados. Foi num desses momentos, em companhia com o empresário e amigo Walter Janssen Neto, que o papo filosófico acabou versando sobre a fórmula da felicidade. Daquela conversa, aprendi com o Teco, como é popularmente conhecido, que não há pergunta precisa, nem resposta acertada para a felicidade, como não há justificativa nem sentença para a infelicidade.

Mas há a possibilidade de adotar e exercitar uma fórmula que, embora não seja cartesiana, pode promover felicidade. Observe na ilustração três círculos interconectados. Cada qual contém uma subjetiva variável: “propósito”, “prazer” e “competência”. O espaço resultante da interseção dos três círculos, indicado com a letra “F”, seria a tão desejada felicidade.

Aplicada ao cotidiano, esta fórmula teria que responder, positivamente, às três variáveis: a) há “propósito” ou sentido naquilo que escolhi fazer em minha vida, em que pese eventuais percalços? b) sinto “prazer” naquilo que faço, mesmo que surjam casuais dificuldades? c) tenho competência e conhecimento naquilo que decidi fazer? Se todas suas respostas foram positivas, mesmo o mundo encontrando-se em turbulência por conta de profundas e aceleradas transformações; mesmo havendo um crescente vácuo na sociedade, provocado pelo materialismo exacerbado, o consumismo desenfreado, a pressa, a violência, a pobreza, a banalização da mentira, e outras perturbações, geradoras da depressão e infelicidade; apesar de tudo isso, reinará a felicidade.

Particularmente, reconheço ter percorrido, com sentido e felicidade, bom caminho de minha existência, mas não lembro ter vivido um momento tão paradoxal. Em nenhuma época, o homem acessou e compartilhou tanta informação e, ao mesmo tempo, absorveu e socializou tanta desinformação. Portanto, a referida fórmula nunca se mostrou tão oportuna. Ela é a certeza de não nos carregamos por fora, nos esvaziando por dentro.