A grande tenda ao lado do teatro Scar está sendo armada. Será grande por fora, mas imensurável por dentro. Para muitos ela significará uma sombria caverna platônica, mas para uma seleta parcela da população ela se transformará, entre 09 e 19 de agosto, em um mundo de luz e sentidos.

A 12ª Feira do Livro de Jaraguá do Sul vem sortida de novidades e oportunidades no mundo da literatura. Sustento a ideia de que todas as manifestações humanas se expressam por meio de alguma forma literária. Por esse prisma, a mensagem relevante e subliminar que a Feira do Livro sempre quer nos deixar é: “quem lê vive mais”.

Mensagem esta, bem mais branda do que a apregoada pelo saudoso Mário Quintana, “os verdadeiros analfabetos são aqueles que aprenderam a ler e não leem”. Por isso, repudio qualquer argumento contrário, notadamente aquele de que no Brasil o livro é caro. Desde quando livro tem preço? Livro só tem valor.

Se podemos nos orgulhar de ter, uma das 10 maiores Bibliotecas Nacionais do mundo (Biblioteca Nacional do Brasil, no Rio de Janeiro), considerada a maior da América Latina, devemos lamentar, paradoxalmente, em exibir, nessa mesma dimensão tupiniquim, um dos piores índices de leitura. Apesar da tímida evolução verificada nos últimos anos, pesquisas apontam que quase metade dos brasileiros não leem e 30% nunca compraram um livro.

Este déficit determina o destacado grau de alienação social. Tragicamente, é deste contingente que se valem os maus políticos que se perpetuam no poder.

Não vislumbro outro caminho capaz de reverter esse inibido status senão pela massificação do livro. Só o livro garante emancipação do mundo diminuto, do vácuo cultural, da servidão dogmática, da miopia política, do viver lacônico, do niilismo existencial, características estas que identificam a sociedade brasileira. Uma nação verdadeiramente livre e desenvolvida se constrói com instrução, educação e cultura.

O que vem depois é consequência dessa base. No Brasil essa lógica está há muito invertida. Sob essa premissa podemos nos orgulhar de exibirmos, em nossa cidade, indicadores qualitativos que nos difere da realidade nacional graças a projetos dessa grandeza.

Dentro desse contexto, é notório que nossa Feira do Livro já tenha se tornado evento consolidado em nosso calendário anual. Sua programação surpreende a cada edição, e essa não será diferente.

Dirigida por uma abnegada e competente equipe, com patrocínio e apoio de sensíveis e visionários parceiros, a inquietante realidade nos diz que a consagração de tamanho esforço conjunto só se dará com a presença expressiva de ávidos exploradores circulando no interior dessa grande tenda. Portanto, não passe batido pela ‘Feira das Feiras’.