Foto Eduardo Montecino/OCP News
Foto Eduardo Montecino/OCP News

Merece destaque na semana, a campanha da nossa APAE – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais, “Down um abraço”, este ano com o tema “não sou especial, só sou uma edição limitada”.

A data de 21 de março, mundialmente dedicada a esta síndrome, também conhecida como trissomia do cromossomo 21, tem o propósito de conscientizar a sociedade acerca da igualdade de oportunidades, garantia de direitos, inclusão e dignidade.

Campanhas dessa natureza e sensibilidade nos mostra o quanto já caminhamos na história e o quanto ainda podemos evoluir. É fato incontestável que ao longo da existência humana, crenças e valores culturais têm estigmatizado pessoas com deficiência.

Basta uma breve ronda pela história para denotarmos que esse processo de exclusão sempre se revelou e se legitimou sob a égide de justificativas vazias. Vejamos algumas evidências: na antiga Grécia, berço da civilização, o pensamento mítico moldava a sociedade, ancorada na concepção do homem “viril, bom e belo”.

O próprio Platão corrobora essa visão em sua obra prima “A República”, quando faz a seguinte alusão: “a força do corpo também deve ser cuidada e caberá à ginástica desenvolvê-la. Aos inválidos não serão dados cuidados: serão simplesmente abandonados”.

Seguindo viagem ao tempo, veremos brotar na Europa, em fins do século XIX, o eugenismo, com ideais de perfeição, fortalecimento e purificação de raças.

Aqui o personagem representativo já não é um filósofo, mas, um desvairado existencial. Hitler sanciona em 1939, o “Aktion T-4 Euthanasia Program”. Travestido de programa de eutanásia, esse buscava, na realidade, a eliminação de pessoas com deficiência.

Superamos estes atrasos e adentramos o século XXI com uma chama de esperança. Surgem os tratados e convenções da ONU estabelecendo um novo paradigma dos direitos humanos, orientado para o exercício pleno das liberdades fundamentais e da cidadania, em particular, das pessoas com deficiência.

Todavia, o clarão dessa chama nos revela aqui, outros vilões modernos a serem vencidos: i) a dissimulada segregação de portadores por conta do fator econômico; ii) a explícita limitação da inclusão, fruto da reinante ausência do Estado; e iii) a ignorância social sobre o tema.

Então, sobre Down, o que sabemos ‘comumente’ e o que não sabemos ‘essencialmente’? ‘Comumente’ sabemos que é uma doença, mas, ‘essencialmente’ não sabemos que é uma condição inerente à pessoa. Doença é o preconceito.

‘Comumente’ sabemos que é um distúrbio que limita o mundo do portador, mas, ‘essencialmente’ não sabemos que há nele um mundo de possibilidades.

‘Comumente’ sabemos que é retardo mental, mas, ‘essencialmente’ não sabemos que mentes brilhantes pensam fora do padrão comum. ‘Comumente’ sabemos muito, ‘essencialmente’ sabemos pouco.

 

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