Como todas as ciências, a odontologia evoluiu de forma surpreendente, tanto no ponto de vista de técnicas, materiais e equipamentos, como na previsibilidade e eficiência dos resultados.

Claro que é importante salientar que trabalhamos em um meio biológico, portanto sujeito a variações de pessoa para pessoa.

Dentre as técnicas que se transformaram estão os laminados cerâmicos, nome que engloba as facetas tradicionais e as muito divulgadas lentes de contato dentais, aquele pequeno defeito de forma, cor ou posição cuja resolução necessitava de procedimentos invasivos pode hoje ser corrigido a um custo biológico muito baixo.

Mas afinal de contas, qualquer pessoa pode usar as lentes de contato?

Como toda técnica terapêutica ela deve ser corretamente indicada, um estudo das possibilidades e indicações para cada pessoa é imprescindível. Inicia-se por entrevista para entender aos anseios e necessidades, seguido de minucioso exame clínico e exames complementares caso necessário, uma vez ponderado as opções e determinado que este é o melhor caminho, continuamos na coleta de informações.

Em trabalhos estéticos o recurso de fotografias dentro de protocolos estabelecidos, contribui de forma muito importante na elaboração das estratégias, hoje a abordagem da reconstrução guiada pela face tem apresentado resultados muito naturais, pois os trabalhos construídos desta forma fazem sentido com o rosto do paciente e daí a naturalidade.

Neste ponto existem dois caminhos ou fluxos, o convencional e o digital. No convencional se procede com moldagens para obter o formato dos dentes atuais em modelos de gesso, que na sequência tem seu projeto desenvolvido sobre este modelo onde os futuros formatos serão concebidos.

No fluxo digital fazemos um escaneamento dos dentes do paciente e integra-se este arquivo 3D às fotos podendo trabalhar digitalmente incorporando linhas de proporção. Após o projeto ser concebido, o mesmo é materializado fisicamente por meio de impressoras 3D.

Independentemente do caminho escolhido, chega o momento onde prova-se este projeto de forma real em boca e totalmente reversível, assim o paciente pode visualizar o resultado final com grande grau de precisão, antes de qualquer procedimento invasivo ser executado, tendo a oportunidade intervir de forma eficiente para melhorar ainda mais o resultado.

Tudo aprovado, dúvidas esclarecidas vamos para a execução. Esta fase também recebeu grandes contribuições dos avanços tecnológicos, a evolução das porcelanas permitem a confecção de laminados muito finos - 0,2 milímetros por exemplo, o que reduz muito o desgaste para acomodá-las, oportunizando conservação significante de estrutura do dente.

A confecção propriamente dita dos laminados novamente pode seguir o caminho convencional ou digital, neste caso sendo fresadas em máquinas específicas o que aumenta a reprodução do projeto originalmente aprovado.

Porém, existem situações onde o resultado estético não fica ideal seguindo o fluxo digital, principalmente quando temos dentes com colorações diferentes entre si. Nesta situação, os laminados feitos de forma convencional conseguem atingir resultados superiores e, geralmente, com desgastes menores.

Novamente, o conhecimento e experiência do profissional vai ser importante para eleger o melhor caminho visando a excelência do resultado.

Dr. Luciano Dreschel - Mestre e especialista em Prótese Dentária, Especialista em Implantodontia e especializando em Odontologia Digital, Professor de Prótese Dentaria da FURB e coordenador do curso de especialização em Implantodontia e Prótese Dentária do Grupo Harmonique em Blumenau.