Quanta gente sente saudade do “velho normal”, daquela vida anterior à pandemia. Isto porque se tem a tendência a usar uma lente cor-de-rosa ao olhar para trás, esquecendo-se dos problemas que existiam, principalmente, quando o presente parece nada bom.

Os romanos usavam uma expressão em latim para descrever esse sentimento: “memoria praeteritorum bonorum” que, numa tradução livre, poderia ser lida como “memória só das coisas boas do passado”.

Ainda bem que é assim, quando se olha ‘romanceadamente’ para o passado, lembrando-se, apenas, das coisas positivas, pois a nostalgia é fundamental para a saúde mental.

Contudo, a realidade é que quase sempre a nostalgia é uma sensação idealizada, às vezes, irreal, de momentos vividos no passado.

Visto dessa forma, pinta-se o passado como melhor e vislumbra-se o incerto futuro como, provavelmente, pior, o que gera um viés cognitivo, chamado “declinismo”: está-se em declínio, pois se hoje está pior do que ontem, o amanhã deverá ser pior do que hoje.

Esta neura epidêmica tem sido um vírus de difícil combate e extinção. É incrível, mas mesmo com todos os fracassos das previsões mais pessimistas já feitas ao longo da história da humanidade, ainda assim continua-se cultivando um contagioso pessimismo em relação ao futuro.

Teima-se em não ver que, ao mesmo tempo em que o ser humano causa problemas, ele tem a capacidade para resolvê-los, um a um. Por exemplo, quantos escutaram, lá atrás, que o petróleo iria acabar? E no que deu? A Era do Petróleo terminará, com certeza, muito antes do petróleo acabar. Por quê? Porque o petróleo passou a ser visto, quem diria, como o grande vilão da civilização mundial, por ser o grande responsável pelo aquecimento global e, assim, tornou-se, cada vez mais importante e irreversível, o desenvolvimento de muitas alternativas ao combustível fóssil, tais como biomassa e gerações hidráulica, eólica, solar fotovoltaica, nuclear, das marés, etc.

Portanto, que se deixe de olhar para o passado como um Éden, o jardim do paraíso de Adão e Eva. Também porque a tendência de esquecer os problemas do passado e acreditar que se está rumando para o declínio leva a estratégias que fazem olhar para trás. E, parafraseando o poeta e ensaísta norte-americano, Henry Thoreau, “é difícil olhar para trás, sem recuar”.

Particularmente, o Brasil é um país rico, com agricultura moderna e forte, bem como, população empreendedora, honesta e resiliente. País enorme, com população multicultural e multiétnica. Mercado de capitais pujante e com arcabouço legal entre os mais avançados do mundo. Muitas empresas de classe mundial estão aqui e o sistema financeiro brasileiro é robusto e inovador.

Em resumo, tem-se, sim, enormes e complexos problemas de toda natureza, mas, também, enorme capacidade de avançar. O desafio é encontrar quem tenha capacidade, com liderança ‘litúrgica’ (isto é sem ‘bravatas’, nem disrupturas comportamentais e verbais), de fazer a maioria da população olhar para o futuro, construindo-o – valorizando, acima de tudo, o que está ao alcance no presente – e não ficar sonhando com um passado glorioso, que raramente existiu.

Por fim, que cada brasileiro coloque o seu eventual ‘viés declinista’ – viralmente impregnado em suas entranças – numa única indagação, quando, pelas andanças da memória, surgir uma percepção idealizada dos “bons dias do passado”: será, mesmo, que foram tão bons assim?

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Emílio Da Silva Neto

Dr. Eng., Industrial, Consultor, Conselheiro, Palestrante, Professor (*) Sócio da ‘3S Consultoria Empresarial Familiar’ (especializada em Processo Decisório Colegiado, Governança, Sucessão, Compartilhamento do Conhecimento e Constituição de Conselhos Consultivos e de Família). Doutor em Engenharia e Gestão do Conhecimento.

Curriculum Vitae: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4496236H3
Tese de Doutorado: http://btd.egc.ufsc.br/wp-content/uploads/2016/08/Em%C3%ADlio-da-Silva.pdf
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