William Shakespeare (1564-1616), tido como o maior escritor do idioma inglês, em sua peça ‘Hamlet’ (considerada uma tragédia, pois conta a história do Príncipe Hamlet, da Dinamarca, objetivando vingar a morte do rei Hamlet, seu pai, executado pelo próprio irmão Cláudio) incluiu uma das mais famosas frases da literatura mundial: "Ser ou não ser, eis a questão”.

Esta ‘exclamação’, frequentemente usada com fundo filosófico, leva a dúvidas mundanas como, quando não se conhece alguém ou apenas superficialmente, se forma imagens preconceituosas (às vezes, contudo, até pertinentes), como... “parece... mas não é” ou, dicotomicamente, “é ... mas não parece”.

Pois bem, reportando-se à empresa familiar, diferentemente das empresas profissionais, aquelas sem ‘donos pessoas físicas’ (ou seja, só fundos e equivalentes), há um ponto especial de preocupação em relação à imagem da família empresária: qualquer exposição pública macular pode levar o nome da família ‘ladeira abaixo’.

Por isso, famílias empresárias formulam os chamados “Códigos de Conduta”, conjunto de regras de comportamento, entre os quais, aqueles que visam preservar a imagem (positiva) da empresa e da família no mercado e na sociedade.

Nestes “Códigos de Conduta”, são explicitados hábitos recomendados aos membros da família empresária, quanto ao zelo da imagem e reputação da família, incluindo atos, comentários, exposições e divulgações em mídias escritas e eletrônicas, para evitar ‘manchas’ à imagem, tanto da família empresária como (dada à inevitável simbiose) da empresa familiar.

Ou seja, toda família empresária tem um ‘cordão umbilical’ com a empresa, de forma que todas as ações e comportamentos dos membros são ‘lidos’ pela comunidade e pelo mercado como sendo também da empresa. Assim, os membros de toda família empresária têm que se comprometer a ter sempre um comportamento social adequado, de forma a não trazer prejuízo à família e à empresa.

Ainda, no caso de algum ‘incidente’, o membro familiar envolvido deve informar imediatamente aos demais familiares (sócios da empresa), para que sejam tomadas as devidas providências, o mesmo acontecendo se chegar a algum membro da família alguma informação que seja importante à empresa ou à família.

Feita toda esta reflexão e transplantando-a para a Igreja Apostólica Romana, ‘empresa familiar’ surgida, não biológica, mas dogmática e teologicamente de Jesus Cristo, há que se questionar os motivos do Papa Francisco, ter arriscado sua imagem, bem como da instituição que lidera, expondo-se, publicamente, junto a um retirante brasileiro nordestino, que poderia ter sido um exemplo de superação e mobilidade social brasileira, mas que, inexoravelmente, virará ‘lixo’ na história deste sofrido país. Este encontro não poderia ter sido sob a forma de uma ‘audiência privada na clausura de um confessionário’, frente a frente ‘padre confessor-fiel confesso’?

Papa Francisco, vossa Santidade (?!?), que já se expôs ao mundo, com recepções a tantos, alguns ‘justos’ (parabéns !!!), mas, também, outros sanguinários, populistas e corruptos ... desculpa a irreverência deste seu súdito tardio (convertido somente aos 30 anos e... quase arrependido), a lhe perguntar: vale a máxima “me diga com quem Vossa Excelência anda... que direi quem Vossa Excelência é” ?!?!?

 

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Emílio da Silva Neto

Dr.Eng. Industrial, Consultor/Conselheiro/Palestrante/Professor (*) Sócio da ‘3S Consultoria Empresarial Familiar’ (especializada em Processo Decisório Colegiado, Governança, Sucessão, Compartilhamento do Conhecimento e Constituição de Conselhos Consultivos e de Família). Doutor em Engenharia e Gestão do Conhecimento

Curriculum Vitae: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4496236H3
Tese de Doutorado: http://btd.egc.ufsc.br/wp-content/uploads/2016/08/Em%C3%ADlio-da-Silva.pdf
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