#fiqueemcasa

É o que mais falamos e ouvimos desde que o COVID-19 desembarcou por essas bandas.

As notícias são todas voltadas para a brutalidade do contágio, a velocidade em que ele se espalha, o aumento do número de mortos, a falta de infraestrutura para atender a todos, a insegurança na aplicação das medidas divulgadas pelos órgãos governamentais, as fakenews e tantas outras notícias, por vezes, até mais trágicas que o próprio coronavírus.

Mas o que podemos aprender com a pandemia?

Primeiro que não basta somente aguardar pelas ações do governo, pois elas não virão na rapidez e na forma como esperamos e precisamos. Temos uma máquina pública muito inchada e extremamente cara, mesmo em momentos excepcionais como que estamos vivendo é muito complicado redirecionar gastos para suprir áreas que necessitam mais que outras.

Aprendemos a olhar diferente para algumas pessoas e profissões. Os integrantes da área da saúde, que estão na frente de batalha e expostos a qualquer tipo de contaminação, os motoristas de caminhões, moto boys, caixas de supermercados, encarregados das empresas de água e energia, bombeiros, policiais e tantos outros que não podem adotar o #fiqueemcasa.

Vamos passar a olhar mais para o nosso vizinho que mantém um comércio local que não entrávamos com tanta frequência, ajudar e divulgar os produtos e serviços locais para fortalecer o comércio e melhorar a economia começando pelo que está mais próximo de cada um. Este movimento se mostra poderoso para reestabelecer e recuperar a confusão causada pelo COVID-19.

Passaremos a pensar e agir com mais solidariedade, o espirito de ajuda ao próximo sem esperar gratificação e reconhecimento floresce dentro de cada um de nós. Vimos que o ser humano vem em primeiro lugar. Que é muito fácil destruir o que construímos, mas que somos capazes de retomar nossas vidas com muita dedicação, empenho e imbuídos do poder de transformar o ambiente em que vivemos.

Neste tempo percebemos de uma vez por todas o quanto a tecnologia pode nos auxiliar nesse processo de reconstrução e retomada. Equipes inteiras estão ligadas por aplicativos de celulares e se reúnem por vídeo conferência.

Decisões antes tomadas exclusivamente em reuniões presenciais passaram a valer através de respostas digitais. Documentos que precisavam de reconhecimento de firmas para terem validade têm assinaturas digitais nos mostrando quanto podemos ser mais efetivos em nosso dia a dia e desburocratizar as coisas.

Empresas voltadas para inovação viverão tempos de glória. Já tinham o terreno fértil para explorar e agora irão multiplicar suas soluções. Negócios tradicionais se deparam com as inovações e percebem o quanto podem se tornar ainda melhores, mais assertivos e ainda mais eficientes.

O que ainda não aprendemos e nem deveremos aprender tão cedo é ficar tão longe do convívio entre as pessoas, vimos que é possível decidir o rumo da economia, dos negócios, do mundo através de aplicativos digitais e soluções tecnológicas, mas como faz falta não estarmos perto das pessoas!

É tempo de implantar o novo, quebrar paradigmas, desafiar modelos, renovar as ações para os desafios que teremos, vencer as etapas e depois de tudo isso constatarmos que somos muito mais capazes do que imaginávamos e daí sim comemorarmos, pois além do sucesso que certamente teremos, iremos nos mostrar muito mais humanos, humildes e solidários.

Texto elaborado pelo advogado Patrick G. Mercer, inscrito na OAB/SC sob o n.º 54.051A. Pós-graduado em Direito Processual Civil e atuante nas áreas de Direito Empresarial, Direito Civil, Direito Tributário, Planejamento e Gestão de Passivos. Sócio do escritório Mattos, Mayer, Dalcanale & Advogados Associados. Presidente da Comissão de Direito Empresarial da subseção da OAB de Jaraguá do Sul/SC.