Algumas pessoas dizem que o mundo nunca mais será o mesmo, que tudo será diferente, mas, ao que tudo indica, voltaremos sim aos velhos hábitos assim que controlada a disseminação da pandemia. O ser humano precisa e gosta de reunir-se para celebrar a vida, os bons momentos e datas comemorativas, gostamos da troca de energia, da alegria e das boas histórias que temos para contar uns para os outros.

Apreendemos novas formas de comunicação que nos trazem muita agilidade e efetividade na solução das demandas de um modo geral, que nos aproximam de quem está longe, mas que não substituem o olhar, a expressão facial, a emoção de estar perto, os gestos e tantos outros privilégios que o convívio nos proporciona.

Passamos por tantas experiências, surpresas, novidades e muitos desafios. Alguns acreditaram que tudo passaria rápido e esperaram pela volta à normalidade, outros se desafiaram a olhar o futuro e agiram de forma a surpreender o mercado e atingir os clientes de forma diferente, inovadora e disruptiva, criando um abismo entre o sucesso e o fracasso, este último em grande parte das vezes, irreversível.

Nesse ano de incertezas e expectativas, apreendemos que as pessoas são o bem mais importante dentro das empresas e instituições, quando estas encontram um ambiente agradável, alegre e confiável, superam-se diante de qualquer dificuldade e entregam muito mais do que imaginavam que seriam capazes. As pessoas se adaptam às circunstâncias, apreendem a superar os novos desafios e olham a longo prazo quando o propósito no negócio é gerar valor às pessoas, relações e ao mercado de um modo geral.

Ora, gerar valor ao mercado, quer dizer, às pessoas, conquistá-las para usarem nossos produtos, necessitarem dos nossos serviços e desejarem as nossas marcas é o grande desafio. Pensar além do nosso tempo, visualizar as necessidades e entender como atingir o desejo de cada um de forma genuína a fidelizar nossa marca tornando-se a primeira opção em nosso segmento, nesse mundo em pandemia, deve ser a grande prioridade. O tempo de resposta diminuiu, a forma de acesso aos produtos mudou e a experiência precisa ser o foco principal.

Os clientes não compram somente porque a marca é a líder de mercado, estão atentos e olhando o que essa empresa entrega de volta para a humanidade, qual sua responsabilidade social, se estão contribuindo de alguma forma para auxiliar a sociedade a se reconstruir, se investem na formação do ser humano, ou, na recuperação de boa parte deles, qual é o cuidado com a saúde dos colaboradores e sua preocupação com a sustentabilidade do planeta. Fato é que a humanidade está mais forte e consciente, então, as empresas precisam pensar de forma a proporcionar experiências de consumo que façam sentido para os clientes baseadas em valores muito mais profundos que somente o ato de consumir.

Então...parte do mundo não será mais o mesmo, administrar um negócio, empreender, lançar um produto, conquistar clientes e ganhar um nicho de mercado nunca mais serão como antes. O foco agora não é somente no nosso negócio em si, aprendemos que nossa cadeia produtiva é essencial para nossa prosperidade e perenidade, pois se um desses integrantes estiver fragilizado influenciará diretamente nos resultados. Além disto, precisamos voltar os olhos para compreender esse mundo físico e digital, onde cada vez mais nossos clientes estão conectados e cada vez mais querem usufruir de lugares ao ar livre, humanizados e em contato com a natureza.

Estamos partindo para uma nova era de confiança e credibilidade, não aceitaremos mais algo que não nos serve ou que não acreditamos, de outro lado, perderemos parte do mercado se prometermos e não entregarmos, ou seja, transparência acima de tudo. O mundo é o mesmo, muitas coisas serão iguais, mas as pessoas mudaram em aspectos que obrigam as empresas a olhar de forma muito atenciosa e transformar essa observação em experiências de consumo personalizadas, o que levará as empresas ao sucesso, a prosperidade e a perenidade.

Texto elaborado pelo advogado Patrick G. Mercer, inscrito na OAB/SC sob o n.º 54.051A. Pós-graduado em Direito Processual Civil, Contabilidade e Gestão Tributária e atuante nas áreas de Direito Empresarial, Direito Civil, Direito Tributário, Planejamento e Gestão de Passivos. Sócio do escritório Mattos, Mayer, Dalcanale & Advogados Associados.