Dentro de uma governança, a jornada da sucessão é um processo que envolve Família, Gestão e Patrimônio. Dentro destes três pilares é que se constrói uma sucessão bem planejada, com um caminho sólido para a perenidade dos negócios familiares. A longevidade do negócio familiar dependerá desta trilha de aprendizagem construída e direcionada em conjunto pelo sucessor e o sucedido.

O importante numa jornada de sucessão é conciliar as expectativas entre sucessor e sucedido. Ambos precisam ser preparados para a sucessão. Os desafios são grandes, principalmente quando se verifica um distanciamento das gerações, que muitas vezes acabam por criar barreiras na forma de gestão. Àquele que viveu em uma geração que preza pelo conservadorismo, pela forma tradicional de gerir o negócio, e a nova geração, que é dinâmica, voltada à tecnologia e disposta a arriscar muito mais.

A sucessão passará inicialmente pela fase de entender se é ou não intenção do herdeiro assumir ativamente os negócios da família. Com a resposta a esse simples questionamento, muitas coisas podem mudar. E a transparência nessa resposta é fundamental para o sucesso dos negócios familiares.

Algumas famílias empresárias envolvem os familiares desde pequenos no negócio, fazendo com que as crianças sintam orgulho do que foi construído com muito esforço e dedicação pelos avós ou patriarcas, respeitando desde cedo o legado deixado. Com isso, estes passam a entender com muito mais clareza, no futuro, qual o caminho que irão seguir, se dentro ou não dos negócios familiares, e qual o seu papel dentro de todo este contexto. O envolvimento e integração das gerações da família trará harmonia e tranquilidade no processo de sucessão.

O processo de treinamento dos herdeiros deverá levar em consideração questões familiares, valores, crenças, conhecimento dos negócios e o perfeito entendimento do real propósito da sociedade. Além disso, envolverá planejamento na gestão da empresa e na gestão patrimonial da família, bem como a compreensão do papel do herdeiro no negócio.

Sucessores e sucedidos que conseguem manter um diálogo constante, troca de ideias entre as gerações, engajamento e incentivo para dar continuidade ao legado terão um processo de sucessão mais tranquilo visando a perpetuidade da empresa.

Artigo elaborado pela advogada Fernanda Fachini, especialista em Master of Business Administration em Direito Tributário pela FGV - Fundação Getúlio Vargas e pós-graduada em Direito Previdenciário pelo Instituto Nacional de Ensino Superior e Pesquisa - INESP. Atua na área de Direito Tributário, Direito Societário, Direito Empresarial e Reorganização e Planejamento Societário, Sucessório e Proteção Patrimonial no escritório Mattos, Mayer, Dalcanale & Advogados Associado