Assistir a uma série ou filme das décadas de 1980 e 1990 é uma verdadeira viagem no tempo. Há situações que deixam claro o grande contraste do modo que vivíamos antigamente em relação aos tempos atuais.

Os personagens combinam um encontro em um determinado horário e local e, em caso de desencontro, os planos caem por terra. Ninguém tira aquele mágico aparelho do bolso e envia um recado para avisar.

Nas últimas décadas, surgiram facilidades que nos fazem questionar como vivíamos sem elas. Os smartphones são um bom exemplo disso. Nada mais de filmes com 36 fotos, que necessitam de revelação, mas câmera com alta resolução onde o número de cliques é ilimitado.

Os mapas em papel no porta-luvas do carro já não são mais necessários, pois o GPS já informa o caminho mais rápido e o horário de chegada. Filas no banco e limite de horário para operações? Não mais. Muitas operações bancárias agora podem ser feitas no próprio aparelho de uso pessoal.

Gravação de voz, redes sociais, música, vídeos e por aí vai: são inúmeros aplicativos presentes nos smartphones. Em meio a uma infinidade de opções, cabe a nós, também, sermos usuários inteligentes. Um estudo norte-americano acendeu um sinal de alerta neste sentido.

Pesquisadores de centros universitários de Chicago, Cambridge e Minnesota, nos Estados Unidos, analisaram o comportamento de mais de três mil estudantes.

O resultado, publicado na “Journal of Behavioral Addiction”, evidenciou que aqueles que usavam seus aparelhos de forma excessiva tinham, também, maior propensão a ter notas baixas, problemas com bebidas e apresentar quadros de ansiedade e depressão.

O método de pesquisa foi a aplicação de perguntas como “você tem problemas para se concentrar na aula ou no trabalho devido ao uso do smartphone?”, “sente-se irritado ou impaciente sem o seu celular?”, “você acha que a quantidade de tempo que você passa nele aumentou ao longo do tempo?” e “você está sofrendo consequências físicas de uso excessivo do celular, como tontura ou visão turva?”.

Aposto que muitos ficariam receosos de responder sinceramente aos questionamentos acima. E eles não estão sozinhos. Há, inclusive, clínicas de reabilitação em pleno funcionamento em países como China e Estados Unidos para jovens viciados em smartphones.

Como em tudo na vida, a chave está no equilíbrio. Na educação, por exemplo, os recursos tecnológicos são poderosos aliados no objetivo de tornar o processo de aprendizado ainda mais instigante e atrativo.

A Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), por meio do documento "Diretrizes de Políticas para a aprendizagem móvel", afirma acreditar que “as tecnologias móveis podem ampliar e enriquecer oportunidades educacionais para estudantes em diversos ambientes"

É um caminho irreversível rumo à digitalização, onde não há mais ouvintes passivos. Cada habitante com acesso a uma rede móvel de dados passa a ser também um emissor, com o poder de compartilhar, comentar, questionar e criar.

Queiram os educadores ou não, o mar de informações continuará à disposição de seus alunos. Cabe capitalizar sua sabedoria e experiência para conduzi-los da forma mais produtiva e saudável possível nesse papel de cidadãos globais.

Atuar como guias na assimilação das oportunidades e consequências do uso das redes sociais, universo em que já passam imersos por horas. Ajudá-los a perceber o valor do pluralismo, da diversidade cultural e da democracia. Estimular a busca por informações de conhecimentos gerais em veículos com credibilidade e imparcialidade.

Certamente é uma nova forma de relacionar-se com o conhecimento e ela pode ser, sim, muito positiva.

Temos a plena convicção do imenso potencial ainda não totalmente explorado que cada um tem dentro de si para amadurecer e tirar o melhor proveito possível da tecnologia, sem dados colaterais.