Toda mudança gera, em um primeiro momento, estranheza. Ser resiliente e aprender a superar o desconforto é, como diriam no ditado, “fazer do limão, limonada”. Um importante passo para quem está experimentando a modalidade de home office, ou seja, trabalhar remotamente, em casa.

Estamos falando aqui de uma prática em franco crescimento. Em avaliação da norte-americana Deloitte, publicada no “The Wall Street Journal”, sobre as mudanças no ambiente corporativo nos últimos anos, o home office aparece como uma forte tendência, pois a digitalização está causando profundas transformações nas empresas. Uma delas é a diminuição do trabalho tradicional e presencial.

Neste formato, há um inegável ganho de qualidade de vida ao converter o tempo de deslocamento no trânsito em novas atividades, como fazer um curso on-line, assistir a série que está todo mundo falando ou testar aquela receita saborosa. Sobra mais tempo para engajar-se em ações construtivas.

Para tudo funcionar bem, estabeleça uma rotina com um horário de trabalho definido de forma a não prejudicar a sua saúde. É preciso foco para manter a produtividade neste formato em que não há uma “supervisão presencial”.

Cuidado com as distrações, como problemas pessoais, tarefas domésticas e a TV a poucos metros de distância. Estabelecer limites com quem divide o mesmo teto é outra boa medida: afinal, você está ali, mas é para ser como se não estivesse.

Bateu a saudade de alguém? Está se sentindo meio solitário e isolado? Não faltam opções de ferramentas para fazer videoconferências, mas deixe para usá-las no tempo de descanso. Direcione as chamadas on-line durante o expediente para questões relacionadas ao próprio trabalho. E nada de estar de pijamas nessas horas, certamente não passará uma boa impressão. Use uma roupa confortável, mas apresentável.

Tenha autocontrole e disciplina. Esqueça aqueles anúncios do gênero “ganhe muito sem sair de casa”. Você ainda terá as mesmas responsabilidades e entregas para fazer.

Planeje as suas atividades com o mesmo comprometimento que teria em um ambiente corporativo. Nada de acordar no último minuto e entrar na reunião ainda com as marcas do travesseiro no rosto. Ou perder a hora e atrasar o cumprimento de prazos. Melhor praticar os horários de sempre. Seja profissional, maduro, eficiente, responsável e confiável, independentemente das circunstâncias.

Outra coisa que não posso deixar lembrar: estar em casa não é motivo para deixar de se hidratar e alimentar-se adequadamente. Inclua na rotina breves momentos para sair um pouco da mesa e andar um pouco, arejar as ideias.

E nada de descuidar da ergonomia. Preste atenção no ambiente para que ele trabalhe a favor do seu corpo. Nada de colocar o notebook no colo e ir para a cama ou sofá, pois esses móveis não foram feitos para isso. Usar uma cadeira de praia então, nem pensar.

Observe se a altura da mesa está adequada e o conforto de onde você está sentado. Longas jornadas em posições incorretas podem trazer alguns riscos à saúde, como dores nos punhos, pescoço e costas.

É hora, também, de demonstrar as suas soft skills. Lembre-se, assim como você, outros podem estar vivendo o mesmo processo de adaptação, que traz com ele possíveis dificuldades como disponibilidade de equipamentos, telas menores, acesso lento à internet e ausência de softwares.

Doses generosas de paciência, empatia, educação e humanidade são muito bem-vindas. Precisamos muito uns dos outros, então por que não cultivar relações agradáveis e fazer os dias de todos mais leves e melhores?

Levando em conta essas considerações, você estará preparado para ter uma jornada produtiva e saudável, desfrutando da tranquilidade de estar em um ambiente com menor circulação de pessoas e, consequentemente, de doenças.