Estamos vivendo os últimos dias do que foi um ano extremamente desafiador e, ao mesmo tempo, de intenso crescimento. Em conversa com um amigo, que também atua com gestão, falávamos sobre as adversidades vividas.

Chegamos juntos à conclusão de que 2000 foi, inicialmente, repleto de estresse e dificuldades até colocar tudo em ordem. Depois disso, um ano também de realizações.

Sim, de realizações, pois elas também fazem parte dos momentos de luta.

Atravessamos um período de muito desenvolvimento espiritual e emocional, especialmente em termos de resiliência. Tivemos que aprender a suportar o afastamento físico, o jeito diferente de trabalhar e as novas formas de se relacionar.

A característica, que já era tão importante para o enfrentamento das adversidades na vida profissional e pessoal, passou a ser ainda mais demandada no nosso cotidiano.

Já se foram nove meses de superação de situações que eram enfrentadas com o apoio presencial de um colega na sala vizinha. Agora, demandam a expressão de formas mais digitais de resolução, para as quais não estávamos preparados.

Tivemos de desenvolver novas habilidades, novas capacidades de comunicação, de resolução de problemas e de localização de caminhos. Nem sempre o jeito antigo de lidar com as situações é válido.

Foi um aprendizado diário. Sentimos muito fortemente esse movimento também na Católica de Santa Catarina. E, no fim das contas, atingimos possibilidades de desenvolvimento muito maiores do que imaginávamos.

A pandemia acelerou a criação de novidades, como os dois novos cursos semipresenciais de Administração e Ciências Contábeis, modelos de ensino, plataformas de educação, treinamentos para professores e digitalização do atendimento aos alunos.

Isso tudo foi impulsionado por um certo paradoxo de 2020: o ano trouxe a necessidade do afastamento físico, mas, em simultâneo, uma grande proximidade de comunicação e de se colocar no lugar do outro.

Nas nossas unidades, fortalecemos ainda mais as conexões entre as equipes. A empatia foi vivenciada também para além dos muros. Acadêmicos e colaboradores, ao longo do ano, mergulharam de cabeça em iniciativas em prol da comunidade.

Tivemos equipes atuando na confecção de máscaras, na doação de alimentos e de álcool em gel e em inúmeras outras ações em parceria com órgãos públicos, como o inquérito epidemiológico de Jaraguá do Sul.

Não desperdiçamos oportunidades de transformar problemas em soluções e de colocar a nossa expertise à disposição do bem comum.

Nos relacionamentos pessoais, os laços também puderam ser estreitados. A dificuldade de estar em grupo nos fez perceber o valor dos vínculos de forma mais ampla.

Videoconferências, ligações e o envio de lembranças foram algumas das formas que encontramos para contornar a impossibilidade de encontros presenciais. Esses mecanismos nos permitiram continuar conectados.

Reafirmamos e reavivamos o afeto pelas pessoas que amamos, como familiares e amigos de longa data. No meu caso, uma dessas pessoas especiais é a mãe de um grande amigo.

Ela foi uma das primeiras pessoas a contrair a Covid-19 no Paraná, estado onde nasci. O acompanhamento da situação fez com que eu visse de forma bem palpável as dificuldades emocionais que o quadro traz e tivesse uma noção ainda mais nítida do valor da saúde. Vejo até hoje a batalha para a superação das sequelas.

Esta é uma história comum a muitos brasileiros. Pode ser a sua história também, do seu amigo, do seu pai. Gente valente, que enfrentou a Covid-19 e herdou nesse processo algumas marcas, que só passarão com o tempo.

Desejo que todos possam superar logo as marcas de 2020, mas que no meio do caminho, não esqueçam de levar também na bagagem para 2021 um legado inestimável: tudo que aconteceu de bom e o entendimento de que somos muito mais fortes do que imaginávamos.