Legião Urbana, banda que até hoje é voz de gerações, eternizou no encerramento de sua popular canção "Pais e Filhos" um ponto de interrogação que paira e já pairou sobre muitos: "o que você vai ser, quando você crescer?".

Geralmente esse questionamento chega ao seu ápice a partir dos 17 anos. É uma idade linda, mas repleta de desafios. A adolescência termina encerrando um período de profundas transformações no corpo e visão de mundo.

O jovem está a um passo da maioridade. Não dirige ainda, nem sempre trabalha, mas é justamente a partir dessa fase que é chamado a ter a responsabilidade de fazer uma das escolhas mais importantes de suas vidas: a profissão.

Em meio a tudo isso tem que lidar também com a pressão da sociedade e da família para que seja bem-sucedido.

A correta tomada de decisão é ainda mais estratégica no atual cenário de intensa transformação dos negócios, que é tão volátil, complexo e ambíguo.

De acordo com um estudo realizado pela Dell Technologies, em parceria com o Institute for the Future (IFTF), 85% das profissões de 2030 ainda nem existem. Tecnologias de software, big data e capacidade de processamento causarão um impacto sem precedentes no modo de vida da população.

Enquanto as corporações repensam seus modelos atuais de infraestrutura e formas de trabalho, seus futuros colaboradores se preparam para ingressar nesse mercado. Mas já há indícios do que esperar.

Conforme pesquisa da consultoria de recrutamento Robert Half, as dez profissões mais promissoras estão ligadas à digitalização. O estudo que abrangeu 2.909 executivos de 13 países, inclusive brasileiros, destacou a função de gerente de e-commerce, com perspectiva de salário variando de R$ 6 mil a R$ 18 mil.

A segunda posição ficou com a aprendizagem digital, especialmente dentro das empresas, com remuneração de R$ 10,5 mil a R$ 23 mil, seguida por consultoria em transformação digital, com rendimentos de R$ 4,5 mil a R$ 9,5 mil.

Já a quarta posição é a de assistente digital, com renda R$ 1,5 mil a 4 mil. Completam o ranking os cargos de Gerente de Customer Experience, Especialista em diversidade, Gerente de talentos, Gerente de engajamento, Gerente de bem-estar e Gerente de recrutamento.

A consultoria Cognizant também se debruçou sobre o tema e apresenta algumas tendências de atividades que devem surgir com a abertura de novos mercados. O

Data Trash Engineer atuará com a mineração e refino de dados tendo foco em localizar informações que tragam retorno financeiro; o E-Sports Arena Builder desenvolverá design de arenas de jogos eletrônicos profissionais; e o Haptic Interface Designer usará a realidade virtual para viabilizar interfaces táteis, com superfícies e textura.

O Juvenile Cybercrime Rehabilitation Counselor terá a missão de estimular a reabilitação de criminosos virtuais; o Smart Home Designer Manager integrará equipes desenvolvedoras de casas inteligentes; e o Uni4Life Coordinator fará orientação educacional em ensino personalizado.

O Vertical Farm Consultant localizará e treinará a operação de plantações verticais; o Virtual Reality Arcade Manager aliará as estruturas físicas das cidades à realidade virtual; e o Voice UX Designer criará assistentes de voz únicos e personalizados.

Não se interessou por nenhuma das profissões citadas até aqui? Não desanime.

Há outros aspectos que continuam e continuarão sendo indispensáveis, independentemente do cargo, como as dez competências listadas pelo Fórum Econômico Mundial para assegurar a competitividade: coordenação, inteligência emocional, capacidade de julgamento e tomada de decisão, orientação para servir, saber negociar, ter flexibilidade, pensar criticamente, ser criativo, cuidar do ambiente de gestão de pessoas e aprender a resolver problemas.

Quem dominar essas soft skills certamente estará preparado para atuar em sua profissão, seja ela o tradicional ofício da família ou a startup que vai revolucionar um segmento de mercado na próxima década.