O joelho é uma articulação fechada, tem uma capa que o recobre, como se fosse uma bexiga onde circula líquido dentro. Este líquido, chamado de sinovial, nutre as estruturas do joelho, cartilagem, meniscos e ligamentos. Devido ao isolamento deste líquido do resto do corpo, é difícil tratar o joelho apenas com remédios, porque estes têm grande dificuldade em chegar nesse compartimento fechado.

Uma maneira mais invasiva de penetrar nesta articulação isolada chamada joelho é a infiltração. A palavra infiltração ainda gera muitas dúvidas e medo nos pacientes, porque remete à ideia daqueles jogadores de futebol com lesões que faziam várias infiltrações para conseguir jogar na década de 70 e 80. Desde aquela época, o nome infiltração quase que ficou com a fama ruim, porque os jogadores faziam várias infiltrações de corticoide para continuar jogando, o que causava muito dano nas articulações e outras doenças como diabetes e hipertensão. Passado o exagero daqueles tempos, devido à ignorância do excesso de infiltração, e o desconhecimento que tanta infiltração fazia mais mal do que bem, hoje em dia a conduta é bem mais tranquila, e realizada com medicações mais modernas.

Atualmente indicamos infiltrações com hialuronato de sódio ou hilano (g-f 20). Esses remédios têm a função de lubrificar a articulação, servindo como coadjuvante, e auxiliar no tratamento de dores no joelho. A infiltração no joelho deve ser indicada por médico ortopedista, este vai avaliar a real necessidade. Os riscos, como de infecção, são mínimos e a dor é bastante minimizada com anestesia local. A grande maioria dos pacientes que fazem esse procedimento fica satisfeita com o resultado. Eles relatam que a dor é mínima, muito menor do que pensavam. Grande parte dos pacientes dizem: “Doutor, já acabou a infiltração? Achei que seria bem doloroso”. Eu digo: “É o medo de antigamente”.

Sobre Daniel Antonio Wulff

  • CRM 8535 Médico dos atletas e pós-graduado em cirurgia de joelho e quadril