Os benefícios de aprender uma segunda língua são inúmeros e cada mais evidenciados através dos recentes estudos da área educacional, médica e em especial da neurociência. Apesar desta informação aparecer com bastante recorrência, há um questionamento que parece perturbar os pais com a mesma frequência: mas, afinal, com que idade uma pessoa deve ser exposta a um novo idioma?

Para melhor compreender este questionamento, é importante considerar primeiro se estamos falando em aquisição ou aprendizagem de língua. Apesar de similares à primeira vista, são processos bem distintos. A boa notícia é que, ao contrário do que se acreditou por muito tempo, aprender um novo idioma pode ocorrer a qualquer momento da vida de um indivíduo, seja na infância, na adolescência ou na vida adulta.

O processo de aquisição de língua se dá com maior facilidade na infância. Trata-se de um caminho mais natural em que a criança aprende a segunda língua concomitante com a primeira e de forma muito parecida; ouvindo, reproduzindo e fazendo associações de vocábulos sem precisar traduzi-los ou compará-los com a língua materna.

Já a aprendizagem ocorre mais facilmente na adolescência e vida adulta, a partir do momento em que já temos um sistema de língua formada em nossa mente. Ao aprendermos as novas estruturas de um segundo idioma, o adolescente, jovem ou adulto terá maior maturidade para nomear e compreender estes processos e estruturar este novo conhecimento.

Quando pensamos nos processos de língua, há ainda outros fatores extremamente determinantes no sucesso e fluência: a necessidade e a emoção. Um exemplo de necessidade pode ser uma mudança para um novo país. O cérebro entende esta situação como uma necessidade de sobrevivência, acelerando assim o processo de desenvolvimento da língua. Já o fator emocional é essencial para o desenvolvimento de uma nova língua, pois tudo aquilo que registramos com emoção em nossas vidas constrói memórias de longa duração, que o cérebro acessará com mais facilidade.

Assim, a pergunta norteadora da decisão de apresentar um novo idioma na vida de uma pessoa não deveria ser “quando?”, e, sim, “como?”. Desenvolver um novo idioma depende muito mais da abordagem do que da idade. Se abordado de forma lúdica, leve e com a devida dosagem de emoção positiva, o quanto antes, melhor.