Começo esse texto com a muito conhecida frase do Sociólogo alemão Ulrich Beck "Pensar globalmente e agir localmente", para relembrar que neste mês de setembro serão completados 34 anos da assinatura do Protocolo de Montreal, o qual estabeleceu regras para redução e extinção do uso de gases que provocavam danos à camada de ozônio.

A boa notícia é que esse é um fantástico exemplo de como ações locais, pensadas de maneira global e baseadas em dados científicos podem gerar melhorias significativas no Planeta Terra, conforme descrito no artigo publicado por Banerjee et. al. (2020) que demonstra a recuperação que vem acontecendo na camada de ozônio nos últimos anos.

Mas é claro que a camada de ozônio é apenas parte dos desafios que temos pela frente. Geração de lixo eletrônico, resíduos sólidos em geral, consumo exacerbado de energia elétrica, escassez de água, poluição dos mananciais, poluição atmosférica, aquecimento global e quantos outros problemas temos a resolver? Sabemos que há uma necessidade premente de ações que potencializem a sustentabilidade no planeta, todavia muitas vezes nos sentimos pequenos diante da escala dos desafios ambientais e é isso que quero desmistificar. Afirmo que nenhuma ação é pequena quando agimos de forma coordenada para atingirmos objetivos comuns.

Nos últimos dez anos, a Católica de Santa Catarina vem implantando ações estrategicamente pensadas para contribuir com um meio ambiente mais saudável e melhoria da qualidade de vida da comunidade. Nesse sentido, estamos há três anos consecutivos entre os primeiros colocados na coleta de itens eletrônicos em Jaraguá do Sul em uma parceria com a Câmara de Dirigentes Lojistas, a CDL.
Ainda na questão de resíduos sólidos, somos ponto de coleta de óleo de cozinha e incentivamos a comunidade acadêmica a fazer uso de garrafas e canecas reutilizáveis em substituição aos copos plásticos, bem como aproveitamos sobras de materiais de maquetaria e laboratórios para elaboração de sinalizações no câmpus. De maneira mais ampla, instalamos dispositivos economizadores de água em torneiras e mictórios, válvulas de duplo estágio em caixas de descarga acopladas, substituímos lâmpadas incandescentes e fluorescentes por led, instalamos fotocélulas e sensores de presença em ambientes comuns para que as luzes sejam acesas somente quando necessário e recentemente iniciamos uma parceria com empresa de transporte alternativo com patinetes e bicicletas elétricas.

Como somos uma instituição de ensino, não poderíamos parar por aí. No último ano, envolvemos os estudantes bolsistas em um projeto de extensão chamado Reciclarte, que teve como principal objetivo elaborar jogos e brinquedos educativos, cartões, máscaras, lembranças comemorativas e objetos de uso da comunidade a partir de material reciclável ou materiais em desuso na própria casa ou na comunidade.

Perceba que aqui na Católica de Santa Catarina tomamos uma série de ações voltadas aos grandes desafios contemporâneos, mas queremos fazer muito mais. Nesse sentido, trago uma reflexão baseada em dados: em Jaraguá do Sul, há mais de 180 mil pessoas, conforme informações do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Se cada indivíduo fizer apenas uma ação diária com o objetivo de melhorar o meio ambiente em que vivemos, serão mais de 5,4 milhões de ações em um mês e quase 65 milhões de ações em um único ano. Esse é o poder de cada um de nós, quando agimos colaborativamente. Sendo assim, faço um convite para que juntos, possamos reavaliar diariamente nossos comportamentos e repensar nossas atitudes em prol de um meio ambiente mais saudável e equilibrado para todas as espécies que aqui habitam, para que possamos proporcionar mais qualidade de vida para a nossa geração e para aquelas gerações que ainda virão.

Palavra do reitor Cleiton Vaz Católica SC

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